Visita de Flávio Bolsonaro tenta atrair voto bolsonarista para Álvaro. Será que conseguiu?

O grande objetivo da passagem de Flávio Bolsonaro pelo Rio Grande do Norte foi alcançar o eleitor que vota nele para presidente, mas não vota em Álvaro Dias para governador. Algumas pesquisas mostram que uma parcela significativa do eleitorado de Flávio também vota em Allyson Bezerra para o Governo.

Os efeitos da presença de Flávio em Natal deverão ser medidos nos próximos dias pelas pesquisas que já estão em campo, captando as impressões dos eleitores após o evento.

Assim como Álvaro tenta tirar de Allyson o voto bolsonarista, Cadu Xavier faz movimento semelhante na tentativa de conquistar o eleitor lulista que hoje vota em Allyson.

É aí que reside uma questão mais profunda.

A análise mais simples tende a afirmar que Allyson possui uma parcela expressiva dos votos de quem vota em Flávio e também de quem vota em Lula. Bastaria, portanto, Álvaro consolidar o eleitor bolsonarista e Cadu consolidar o eleitor lulista para que estivesse montada a equação capaz de provocar uma queda de Allyson.

Mas é preciso inverter a lógica da questão.

Pode não se tratar apenas do eleitor de Lula ou de Flávio que vota em Allyson. Há também o eleitor que é, prioritariamente, de Allyson e que, na disputa presidencial, escolhe Lula ou Flávio. E esse grupo pode ter um peso importante.

Essa pode ser uma das explicações para a resiliência eleitoral do ex-prefeito de Mossoró diante das investidas e apostas na polarização entre esquerda e direita. Allyson possui uma parcela do eleitorado que se identifica com sua candidatura independentemente da disputa ideológica nacional.

Os votos de Lula podem vir de diferentes perfis: do petista que vota em Lula, daquele que não se considera petista, mas gosta do presidente, e ainda do eleitor que rejeita o bolsonarismo e, por isso, escolhe Lula.

A mesma lógica pode ser aplicada aos votos de Flávio Bolsonaro. Há o bolsonarista convicto, o eleitor que não se considera bolsonarista, mas prefere Flávio, e aquele cuja escolha é motivada principalmente pela rejeição a Lula e ao PT.

Quando Álvaro faz um movimento como o de ontem, buscando reforçar sua identificação com Flávio e consolidar o eleitor bolsonarista, é razoável esperar um efeito maior entre os eleitores mais identificados com esse campo político. Isso, porém, não significa necessariamente alcançar todos aqueles que votam em Flávio, especialmente os que não se consideram bolsonaristas ou cuja escolha presidencial é motivada principalmente pela rejeição ao PT.

A mesma lógica serve para Cadu Xavier em seu esforço para conquistar o eleitor lulista que ainda está com Allyson Bezerra.

Faço essa análise para mostrar que não existe um botão que, ao ser acionado, transfere automaticamente o voto de esquerda ou de direita para os respectivos candidatos ao Governo.

Cadu avançou significativamente entre os eleitores de Lula ao longo da campanha. Mais importante do que observar apenas esse crescimento, porém, é entender onde ele ocorreu. Quanto desse avanço veio do petista identificado com o partido? E quanto veio do eleitor que vota em Lula, mas não se considera petista ou que faz essa escolha principalmente pela rejeição ao bolsonarismo?

Esse é o X da questão.

Avançar sobre o eleitor petista era um movimento esperado para Cadu. O ponto mais interessante é saber até onde ele consegue crescer entre os demais perfis que formam o eleitorado de Lula.

A passagem de Flávio Bolsonaro pelo Estado também poderá produzir algum efeito para a campanha de Álvaro. É possível que contribua para uma maior consolidação entre os bolsonaristas. O grande teste, porém, será saber se Álvaro também conseguirá avançar entre os eleitores de Flávio que não se identificam como bolsonaristas ou que votam nele principalmente por rejeição a Lula e ao PT.

As próximas pesquisas ajudarão a mostrar os efeitos desses movimentos de Álvaro e Cadu.

E as urnas darão a resposta definitiva sobre quem conseguiu avançar para além de seu próprio campo político.

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