Com a eleição de Cadu Xavier, começa uma nova disputa política no RN: o comando da Assembleia Legislativa. O PT precisa ampliar sua base para garantir a governabilidade, e Ezequiel Ferreira pode ser peça-chave nessa articulação. Cristiane Dantas surge como favorita à presidência da Casa, em uma negociação que pode envolver muito mais do que a Mesa Diretora. Nos bastidores, o jogo já começou.
A derrota de Allyson Bezerra tem várias explicações, mas a nacionalização da campanha foi, na minha avaliação, o fator decisivo. A disputa pelo governo do RN acabou engolida pela polarização entre petismo e bolsonarismo. A eleição virou um verdadeiro Fla-Flu, com duas torcidas apaixonadas, enquanto Allyson ficou sem lado e sem torcida. A polarização nacional não apenas influenciou a eleição estadual. Decidiu.
Cadu Xavier venceu sua primeira eleição prometendo um jeito próprio de governar. Agora, terá o desafio de entregar obras importantes, como a duplicação da BR-304 e a terceira ponte de Natal, além de reorganizar as finanças do Estado. Com Lula reeleito, terá um cenário favorável para buscar apoio federal. Os próximos quatro anos mostrarão, na prática, qual será o jeito Cadu de governar.
Allyson Bezerra e Cadu de Lula protagonizaram um debate de bom nível na Inter TV Cabugi, com propostas, críticas e troca de acusações. Allyson explorou possíveis cortes de R$ 190 milhões no orçamento estadual e administrou melhor seu tempo de fala. Cadu destacou ações dos governos federal e estadual e questionou a gestão e a honestidade do adversário. Ambos tiveram bons momentos, mas Allyson levou ligeira vantagem na condução estratégica do debate.
Foi divulgada nesta quinta-feira (22), pelo portal Agora RN, mais uma pesquisa do instituto Exatus sobre a disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte neste segundo turno. O levantamento ouviu 1.500 eleitores entre os dias 19 e 21 de outubro. A margem de erro informada é de 2,34 pontos percentuais. A pesquisa está registrada sob o número RN-01134/2026.
A campanha de Allyson Bezerra tenta transformar o apelido “calango” em símbolo de discriminação contra sua origem rural. Mas o termo já era utilizado pela humorista Vivi Alvares como crítica à postura política do candidato, que evitava declarar apoio a Lula ou Flávio Bolsonaro. Não há problema em transformar o calango em mascote eleitoral, com músicas e dancinhas. O questionável é associar o apelido a uma narrativa de preconceito e vitimização. Na minha avaliação, o episódio parece uma tentativa de mobilização emocional diante de uma disputa eleitoral mais difícil do que se imaginava.

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