Escolhido o novo ocupante do Executivo estadual, as atenções já se voltam para a escolha de quem comandará o Legislativo. Em 1º de fevereiro de 2027, os deputados estaduais tomam posse e, em seguida, elegem o presidente da Assembleia Legislativa para os próximos dois anos.
Existem muitas alternativas. Vamos analisar os cenários.
A esquerda ganhou o governo e conta com uma bancada de sete deputados. O PSDB, que se aliou ao grupo vencedor no segundo turno, tem outros três. Juntos, somam dez votos. Precisam de mais três para alcançar a maioria necessária.
Como a federação PT/PV/PCdoB tem sete deputados, poderia tentar emplacar um nome próprio. Mas duvido que isso aconteça. Acredito que Ezequiel Ferreira e seu grupo tenham melhores condições de atrair os votos restantes para garantir a vitória.
E é justamente o governo do PT que precisa formar uma bancada majoritária para assegurar as condições de governabilidade a Cadu Xavier. Não se consegue isso impondo nomes, mas negociando alianças.
Vamos olhar agora para a oposição.
Os sete deputados do PL estão com os pés fincados na oposição. Isso não deve mudar, pelo menos nos primeiros meses. Um ou outro talvez mude de posição, mas dificilmente no curto prazo.
Resta, então, a bancada de centro, formada pelos seis deputados do União Brasil/PP e pelo eleito do MDB. São sete votos.
Nesse grupo, vejo grandes possibilidades de o governo construir uma composição com Neílton Diógenes, Kléber Rodrigues, Nélter Queiroz e Bibiano. Talvez também com Júlio César.
Já vejo dificuldades para o governismo atrair Cínthia de Allyson e Robson Carvalho.
Com esses cinco possíveis aliados, somados aos dez que já estão na base de Cadu e Lula, seriam 15 votos. Número suficiente para garantir a eleição da Mesa Diretora e dar sustentação política ao governo.
Mas existe outra hipótese: a bancada de centro se aliar ao PL em uma composição temporária, voltada exclusivamente para a eleição da Mesa Diretora, com os espaços de poder divididos entre os dois grupos.
Possível, mas pouco provável.
Afinal, quem abriria mão do comando da Assembleia em favor do outro? Não faria sentido para o centro virar as costas à possibilidade de se aliar à máquina do governo para entregar a presidência ao PL. Da mesma forma, seria difícil imaginar o PL entregando ao União Brasil ou ao PP o comando da Casa e ficando de mãos vazias.
Vamos olhar para os nomes.
Ezequiel Ferreira e o PSDB têm uma candidata: a deputada Cristiane Dantas. Neste momento, a grande favorita.
O PT poderia ceder. Uma ampla negociação com Ezequiel poderia não apenas garantir a conquista da Mesa Diretora, mas também assegurar, como contrapartida, as condições de governabilidade para Cadu Xavier.
Seria mais ou menos assim: o PT e o PV aceitariam votar em Cristiane Dantas e caberia a Ezequiel e seu grupo a responsabilidade de construir uma base majoritária de apoio ao governo na Assembleia Legislativa.
Neste primeiro momento, acredito que seja mais ou menos isso que esteja começando a ser conversado nos bastidores.





