Como Tarcísio perdeu Bolsonaro, o Centrão, a Faria Lima, a mídia e o próprio rumo

Tarcísio de Freitas não será o candidato de Jair Bolsonaro à Presidência da República em razão de uma série de erros cometidos ao longo dos últimos meses. O governador paulista errou em praticamente tudo o que tentou. Ao fim, anunciou que será candidato à reeleição em São Paulo e que apoiará Flávio Bolsonaro para a Presidência.

Quem acompanhou a trajetória de Tarcísio nesse período viu a oscilação de um nome que chegou a ser o candidato preferencial do Centrão, da Faria Lima, de parte da mídia tida como isenta e do chamado bolsonarismo moderado. Ele saiu da condição de principal adversário da esquerda nas pesquisas para tornar-se um político sem identidade clara e sem grupo definido.

Tarcísio acabou abandonado por todos. Para a Faria Lima, o Centrão e setores da mídia, seu nome representava o voto bolsonarista sem Bolsonaro — uma alternativa considerada palatável para o eleitor de centro. Era atrativo. Lula e o PT sabiam que Tarcísio seria um adversário difícil de derrotar e, por isso, preferiam mil vezes enfrentar Flávio Bolsonaro.

Foi aí que começou a sucessão de erros. Tarcísio tornou-se pouco confiável para o bolsonarismo. Mostrou-se indefinido diante das sanções americanas contra o Brasil, incerto na defesa das pautas da direita conservadora, reticente quanto à anistia defendida por Bolsonaro, volúvel na questão da soberania nacional e inseguro nos embates com o STF. Em resumo, passou a encarnar uma soma de incertezas, idas e vindas e ambiguidades — tudo o que a política não tolera.

A Faria Lima saiu de fininho. A mídia o deixou isolado. O Centrão ainda insistiu, mas passou a temer a falta de pulso. O eleitor de centro olhou com desconfiança. E Jair Bolsonaro percebeu que Tarcísio, ao se associar a determinados grupos, parecia disposto a entregar a própria cabeça do ex-presidente numa bandeja.

É verdade que Eduardo Bolsonaro foi o primeiro, dentro do clã, a perceber que Tarcísio se alinhava com setores interessados em ver Bolsonaro preso e fora do jogo político. Alardeou o risco e iniciou a resistência. Flávio Bolsonaro, o “01”, foi o último a compreender o movimento. E, da prisão, o velho Bolsonaro entendeu o jogo: excluiu Tarcísio e lançou o filho na sucessão, avaliando que, se fosse o caso, seria até melhor perder com Flávio do que ganhar com o governador paulista.

Tarcísio de Freitas torna-se, assim, um exemplo claro de como não fazer política. Perdeu identidade, faltou-lhe coragem e entregou seu destino às mãos de terceiros. Esse foi seu maior pecado. Com isso, resigna-se a disputar a reeleição em São Paulo, recolhendo os cacos de quem poderia ter sido grande e termina menor.

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