Acredito que a governadora Fátima Bezerra foi muito clara ao tratar da eleição indireta para o mandato-tampão. Em um café da manhã com a imprensa natalense, ela foi questionada sobre o assunto e respondeu às diversas indagações.
Primeiro, Fátima reconheceu que o PT não possui, hoje, votos suficientes para eleger seu sucessor. Lembrou, porém, que não é apenas o PT que enfrenta essa dificuldade: nenhum partido tem os votos necessários. Isso é verdade — o PT não tem, o PL não tem e a chamada terceira via também não.
A governadora revelou que está conduzindo pessoalmente as conversas, sem enviar emissários. Ela própria tem chamado os deputados para discutir a eleição indireta. Também afirmou que, recentemente, manteve uma longa conversa com o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira.
Por fim, declarou que o tema é prioridade para o PT. O partido está dialogando com os deputados e pretende dedicar os próximos dois meses à busca dos votos necessários.
Ah, antes que eu esqueça: a governadora afirmou que ainda não está tratando de nomes para o cargo de governador-tampão. No entanto, deixou claro que o PT não abre mão de indicar alguém que tenha compromisso com o governo e identidade com o projeto defendido nas eleições e aprovado pela população.
Tudo o que Fátima disse já havia sido antecipado e analisado por este blog. Não há uma única informação apresentada por ela que não tenha sido previamente divulgada aos nossos leitores.
No caderno de anotações da governadora, ela contabiliza oito votos: Francisco do PT, Isolda Dantas, Divaneide Basílio, Vivaldo Costa, Ivanilson Oliveira, Doutor Bernardo, Eudiane Macedo e Ubaldo Fernandes.
Em outra página, Fátima listou mais sete deputados com quem pretende conversar e acredita ser possível construir entendimento: Ezequiel Ferreira, Galeno Torquato, Taveira Júnior, Hermano Morais, Kléber Rodrigues, Neílton Diógenes e Nélter Queiroz.
Na conta petista, entre esses sete há uma margem de até dois votos que podem não se concretizar. Ainda assim, seriam necessários mais cinco votos para somar aos oito já contabilizados.
No cenário das articulações em torno do mandato-tampão, circulam duas análises bastante fundamentadas.
A primeira aponta que apenas o PT está tratando o tema como prioridade absoluta. Os outros dois blocos políticos formados no Estado consideram a escolha complexa: há vantagens e desvantagens em assumir o Governo neste momento. Não se trata apenas de contar com a máquina administrativa e sua estrutura, mas também de assumir o ônus de administrar uma série de problemas em pleno período pré-eleitoral.
A segunda análise indica que, embora a oposição não demonstre entusiasmo em assumir o governo agora, pode ser estrategicamente vantajoso retirar Fátima Bezerra do páreo. Impedir que o PT faça o sucessor significa eliminar um concorrente ao Senado e ampliar as chances de conquistar as duas cadeiras pelo Rio Grande do Norte.
Minha opinião já deixei clara, mas vale reiterar: pelo que tenho ouvido e testemunhado, a renúncia de Fátima deve se confirmar, haverá eleição indireta para um mandato-tampão e, neste momento, o PT aparece à frente na tentativa de emplacar um nome na cadeira de governador.





