Pesquisa Quaest mostra que voto bolsonarista se reorganiza e acirra corrida presidencial

Está sendo grande a repercussão do resultado da pesquisa Quaest, divulgada ontem, com os últimos números sobre a corrida presidencial. O levantamento mostrou que a disputa tende a ocorrer entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro.

O burburinho ocorre porque, na pesquisa da Quaest de dezembro passado, a distância entre Lula e Flávio era de dez pontos. Nesta nova rodada, a diferença caiu para cinco. Segundo a Quaest, em uma eventual disputa de segundo turno, Lula teria 43% das intenções de voto contra 38% de Flávio.

É preciso analisar esses números dentro do contexto do momento em que a coleta foi realizada. Em dezembro, a candidatura de Flávio ainda era uma incerteza. Ele havia sido indicado por Bolsonaro, mas seus próprios aliados duvidavam que fosse, de fato, o candidato. O crescimento agora aponta que o eleitorado passou a enxergá-lo com mais clareza como o nome do grupo.

Não há dúvida de que a polarização entre Lula e os Bolsonaro permanece forte — e isso aparece de forma explícita na pesquisa. Com Flávio definido como representante do bolsonarismo, o voto vai sendo naturalmente direcionado a ele por eleitores simpáticos ao movimento e por adeptos do antipetismo.

Para entender esse movimento, basta observar que, à medida que Flávio cresce, Tarcísio de Freitas perde espaço. Ou seja, o voto bolsonarista busca um eixo de definição. Se o cenário fosse inverso e Tarcísio fosse o escolhido, o mesmo fenômeno ocorreria: à medida que o eleitor compreendesse que ele era o nome do grupo, o voto tenderia a se concentrar nele e a se afastar de Flávio.

Penso que, caso Tarcísio tivesse sido o escolhido, poderia hoje aparecer mais forte que Flávio — talvez até empatado ou à frente de Lula.

Olhando para as intenções de voto de Lula, é possível perceber que escândalos como o caso do INSS e, mais recentemente, o caso Master, reforçam no eleitorado a sensação de corrupção tomando de conta do País. Mesmo que o governo apresente indicadores positivos na economia, essa percepção pode influenciar negativamente e fazer com que Lula perca terreno.

Também é importante lembrar que Flávio e Lula possuem rejeições semelhantes: mais de 50% dos eleitores afirmam que não votariam em nenhum dos dois. Nesse aspecto, há equilíbrio na polarização.

A pesquisa retrata o cenário atual. Em agosto e setembro, saberemos melhor qual será a percepção da população sobre economia, corrupção, violência e emprego. É sobre essas condições concretas que o eleitor decidirá seu voto.

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