O dia seguinte ao anúncio da governadora Fátima Bezerra, de que pretende cumprir seu mandato até o final e não disputará o Senado, foi marcado por análises, justificativas e explicações.
Procurei apurar os bastidores da decisão e colhi informações que ajudam a explicar alguns dos últimos movimentos de Fátima. Passei a investigar o sentido de uma frase presente na carta ao povo do Rio Grande do Norte. Em determinado trecho, ela afirma: “houve um movimento articulado para tirar o PT do Senado”.
Quem articulou? Que movimento foi esse? Foram as perguntas que passei a fazer — e fui em busca das respostas.
Nos últimos dias, Fátima identificou dois movimentos sincronizados na oposição que não apontavam para candidaturas competitivas ao mandato-tampão, mas sim para inviabilizar sua ida ao Senado. Para isso, seria necessário impedir que ela elegesse seu sucessor.
Ainda segundo fontes do PT, o primeiro movimento teria sido conduzido pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, que se mobilizou continuamente para dificultar a obtenção de votos por parte da governadora para seu indicado.
Mesmo entre os oito deputados que o governo afirmava ter como base no projeto, Ezequiel teria atuado junto a Ubaldo Fernandes, Eudiane Macedo e Ivanilson Oliveira, buscando impedir que se alinhassem a Fátima na eleição indireta.
O segundo movimento articulado, ainda segundo o governismo, teria partido do vice-governador Walter Alves. Nesse caso, não se trataria apenas da decisão de não assumir o Governo, mas da percepção, por parte de Fátima, de que Walter estaria disposto a uma nova reviravolta, assumindo o comando do Estado após a eventual renúncia.
A fala do deputado Kléber Rodrigues, em entrevista dias antes, ao levantar dúvidas sobre se Walter também renunciaria ou não, acendeu um alerta no governo. Segundo assessores da governadora, essa possibilidade era considerada real. Caso Fátima conseguisse viabilizar os votos para eleger seu sucessor, Walter poderia mudar de posição e assumir o Governo após a renúncia.
De acordo com o que foi apurado, esses dois fatores foram determinantes para que a governadora percebesse a existência de um jogo articulado com o objetivo de inviabilizar sua candidatura ao Senado.
A desistência da renúncia foi, portanto, a cartada final para retomar o controle da situação. Segundo fontes do Governo, foi nesse contexto que Fátima concluiu não haver garantias de eleger um sucessor e que insistir no projeto poderia comprometer toda a estratégia eleitoral do PT para 2026 no Rio Grande do Norte.




