A incoerência de Walter Alves que rompeu com o governo, mas não larga o osso

Com todo o respeito que tenho por Walter Alves e por sua história política, permanecer como vice-governador até o fim do mandato me parece uma incoerência sem tamanho.

Foi ele próprio quem anunciou que não iria assumir o governo, alegando que a situação financeira do Estado era um desastre e que não havia condições de sentar na cadeira. Tornou isso público em diversas falas.

Pouco tempo depois, Walter anunciou que seria candidato a deputado estadual, e sua decisão de não assumir o governo passou a ser impositiva, já que somente assim estaria elegível para o cargo que pretende disputar.

As razões apresentadas por Walter para permanecer no cargo, segundo ele próprio, são de que o mandato foi conferido pelo povo e de que a governadora não tem poder para demiti-lo.

Agora que expus os argumentos de Walter, apresento a minha opinião.

Não se trata apenas de permanecer ou não com o status de vice-governador, mas de ser coerente com a posição de quem não concorda com o governo atual, com suas políticas e com o modo como Fátima conduz a gestão.

Na prática, a permanência de Walter no cargo é uma decisão inócua. Como é candidato a deputado, ele não pode substituí-la em nenhuma hipótese. Se Fátima viajar, Walter não assume. Se adoecer, Walter não assume. Se for impedida, Walter também não assume.

Nesse contexto, a única consequência prática de permanecer no cargo é manter o salário mensal de vice-governador e a estrutura da vice-governadoria. Como não precisa, necessariamente, se afastar — já que é apenas um substituto eventual —, seguirá com as prerrogativas do cargo, mas sem exercer função alguma.

Entendo que Walter seria coerente se apresentasse sua renúncia dentro do prazo legal, como forma de alinhar sua postura atual com seu discurso político. Ele foi eleito em um projeto conjunto, como parte de uma aliança. Hoje, rompeu politicamente com esse projeto, mas não formalizou esse rompimento no cargo.

Parece-me contraditório que um líder político se coloque na oposição ao governo e, ao mesmo tempo, mantenha a condição legal de substituto desse mesmo governo.

Renunciar seria uma forma clara e respeitosa de demonstrar que não concorda com a gestão e que não deseja fazer parte dela. A menos que o salário e a estrutura do cargo ainda sejam fatores determinantes para sua permanência.

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