O mossoroense Hélito Honorato, da 2HC, será o responsável pelo marketing de Allyson Bezerra durante a campanha eleitoral deste ano. Escolha acertadíssima. Não faria sentido importar um nome para a função tendo, aqui, um jovem talentoso que já vem desempenhando esse papel com sucesso.
Hélito e Allyson caminham juntos há algum tempo. Existe sintonia entre eles: um entende o pensamento do outro. O assessoramento do baiano João Santana será consultivo — um olhar externo, o que também é positivo e tende a qualificar ainda mais o trabalho.
Mas o objetivo deste texto não é apenas enaltecer Hélito e sua capacidade. É, sobretudo, abordar os desafios que ele terá pela frente — e eles não são poucos.
Há quem diga que fazer marketing do favorito é tarefa simples. Pode até parecer, mas existe um risco ainda maior: perder sendo favorito. E o favorito exige mais do que o azarão.
Vamos aos desafios.
Allyson enfrentará dificuldades tanto nos números quanto no discurso de oposição ao governo. Isso porque ele também foi governo. Os mesmos dados usados para exaltar sua gestão podem ser utilizados pelos adversários como contraponto.
Exemplos:
- Criticar o aumento do ICMS enquanto o IPTU em Mossoró vem subindo ano após ano, com alta superior a 40% de 2025 para 2026.
- Criticar a lentidão do Idema nos licenciamentos enquanto há reclamações recorrentes sobre a fila de licenças no próprio município.
- Criticar a educação estadual quando o Ideb municipal apresentou queda.
- Questionar a baixa atratividade econômica enquanto programas como o Proedi são amplamente elogiados.
Há um verdadeiro jogo de xadrez em curso. Allyson precisa atrair seus adversários para o campo da gestão, fugindo da polarização ideológica. No entanto, inevitavelmente será confrontado com seus próprios números.
Não cabe aqui listar todos os pontos já explorados pela oposição, mas os exemplos citados ilustram bem: Hélito Honorato não terá vida fácil na disputa de narrativas.
A vantagem de trabalhar com o favorito pode, facilmente, se transformar em risco — seja pelo deslumbramento, seja pelo excesso.
E aqui entra um ponto sensível. A ideia da pré-campanha visitando os municípios, valorizando suas histórias e sua gente, é excelente. O projeto “167 razões” é bem pensado: cria identificação, aproxima o candidato da realidade local e fortalece sua imagem.
Mas, nas peças mais recentes, há sinais de exagero. Os vídeos começam a apresentar um Allyson quase como um super-herói, com poderes extraordinários, chegando às cidades de forma simbólica, como se estivesse acima da realidade. A meu ver, é um excesso perigoso.
Não se trata aqui de ensinar pai-nosso a vigário. Trata-se de compartilhar, com o leitor do blog, uma leitura sobre o momento — reconhecendo, inclusive, o acerto na escolha do excelente profissional que é Hélito para conduzir o marketing.
Allyson é um fenômeno nas redes sociais. Há mérito próprio, sem dúvida, mas também há o trabalho estratégico de Hélito, que entende bem essas nuances. É uma dupla que se complementa.
Os desafios são grandes. Agora, é trabalhar.





