Faltando cinco meses para as eleições de outubro, o que andam fazendo os pré-candidatos ao Governo do Estado e ao Senado pelos rincões do RN?
O blog deu uma olhada nas agendas dos candidatos, vasculhou as postagens nas redes sociais e montou uma análise sobre quem está fazendo o quê. O objetivo foi detectar a direção que cada campanha está tomando. Há campanhas visivelmente com algum rumo e outras ainda completamente sem direção.
Segue um resumo do que estou observando.
ALYSSON BEZERRA – O pré-candidato ao governo pelo União Brasil tem, neste momento, dois focos: concentrar a agenda em Natal, onde mantém um escritório político, participando periodicamente de entrevistas e reuniões; e dar prosseguimento ao projeto “167 Razões”, no qual visita os municípios e produz conteúdo para as redes sociais sobre a história das cidades e seus potenciais. Esse projeto de percorrer os municípios é, de longe, o que tem maior potencial de render bons resultados, pois conecta com as cidades e demonstra identidade com o povo.
ÁLVARO DIAS – Após duas semanas fora de cena por conta de cirurgias oftalmológica e estética, Álvaro começa, aos poucos, a retomar sua agenda. Com visual renovado, fez correções nas pálpebras e retirou gordura do pescoço. Lançou um site na internet, chamado “Álvaro pelo RN”, onde pretende colher sugestões para a elaboração do plano de governo. Sua equipe também executa um projeto de fortalecimento das redes sociais, com a criação de comunidades em aplicativos de mensagens para divulgar suas ações. A ideia do site é interessante e pode gerar bom material para a campanha. No entanto, Álvaro peca pela terceirização da iniciativa, faltando maior envolvimento pessoal.
CADU XAVIER – Está dando a largada em um projeto que, internamente, a equipe chama de “Cadu de Lula”, com o objetivo de ampliar sua visibilidade nas cidades e presença nas redes sociais. Passou a priorizar a estratégia em vincular sua imagem a Lula. Resta observar com que velocidade essa associação ganhará força — e se, de fato, irá se consolidar. Cadu também montou uma agenda de visitas a prefeitos e lideranças locais, buscando transmitir a imagem de uma candidatura fortalecida e com amplo apoio.
STYVENSON VALENTIM – O senador mantém uma agenda inteiramente voltada à divulgação das emendas de seu mandato. O planejamento se apoia em um tripé: apresentar as emendas, mostrar a execução das obras e destacar a satisfação dos beneficiados. Styvenson aposta em uma estratégia de foco único. Sem as emendas, há pouca evidência de um projeto mais amplo, com ideias ou bandeiras claras. Ele já definiu que não terá agenda conjunta com Álvaro nem com o Coronel Hélio, optando por uma campanha solo, com discurso anti-sistema e anti-política. Em 2018, essa estratégia rendeu muitos votos; em 2022, teve menor impacto.
CORONEL HÉLIO – Está montando uma equipe de marketing para a campanha. Até o momento, as ações ocorrem de forma dispersa, sem uma estratégia bem definida. Por enquanto, a meta é vincular o voto às bandeiras da direita. Hélio tem sido preterido por Styvenson e Álvaro, sem participação em agendas conjuntas. Suas atividades concentram-se em visitas a correligionários e postagens sobre pautas ideológicas. Seu principal desafio é demonstrar que não é apenas um coadjuvante na disputa.
CARLOS EDUARDO ALVES – O ex-prefeito demonstra insatisfação com a demora do União Brasil em definir sua pré-candidatura ao Senado. Pessoas próximas afirmam que ele está prestes a desistir. A insatisfação decorre do que considera um tratamento de segunda categoria por parte dos aliados. Sua filiação ao partido ocorreu sob o compromisso de José Agripino de viabilizar sua candidatura. Caso não haja definição nesta semana, a tendência é que rompa com o grupo. Se confirmado como candidato, então passará a estruturar efetivamente sua campanha — por ora, o foco é apenas garantir a candidatura.
ZENAIDE MAIA – A senadora ainda busca ajustar o tom de sua pré-campanha. Ao se vincular fortemente a Alysson, acabou perdendo protagonismo próprio. Tem dificuldades em construir uma agenda independente e produzir conteúdo político consistente, permanecendo à sombra do pré-candidato ao governo. Atualmente, enfrenta dificuldades em comunicar com clareza suas realizações para demonstrar o que fez ao longo dos oito anos de mandato, limitando-se a transmitir uma imagem pessoal positiva, porém pouco estratégica.
SAMANDA ALVES – Há uma mobilização intensa dentro do PT, liderada pela governadora Fátima Bezerra, para impulsionar o nome de Samanda. O esforço envolve toda a cúpula do partido e do governo, incluindo Cadu e pré-candidatos a deputado federal. Ainda assim, os resultados concretos são pouco perceptíveis até o momento, e a atenção permanece voltada para torná-la competitiva. O ponto positivo é que Fátima está garantindo para Samanda quase todos os apoios que tinha para si. A pré-candidata cumpre agenda em todo o estado e mantém presença nas redes, mas ainda encontra dificuldades para converter esse esforço em intenções de votos nas pesquisas.
RAFAEL MOTTA – Duas semanas após ser lançado oficialmente pelo PDT, começou bem nas pesquisas e agora busca consolidar seu espaço. Ainda não se apresenta numa dobradinha visível com Samanda, mas tem muito potencial pode oferecer ao campo petista uma composição forte. Mantém um discurso de alinhamento, embora enfrente certa desconfiança do PT. Ainda trabalha para estruturar seu projeto eleitoral e suas ações políticas têm foco em demonstrar viabilidade eleitoral.





