Flávio Bolsonaro não tem margem para erros. E cometeu um erro grave

Desde que foi lançado pelo pai como pré-candidato à Presidência, no fim do ano passado, Flávio Bolsonaro sempre precisou conduzir sua candidatura sobre uma linha muito tênue. Questionado internamente e desdenhado pelos adversários, Flávio nunca teve, não tem e dificilmente terá grande margem para erros.

Tenho dito que Flávio Bolsonaro é o candidato que Lula escolheu para enfrentar. Não duvido que o Palácio do Planalto tenha atuado em diversas frentes para que ele fosse o nome escolhido pelo bolsonarismo, justamente pelo PT considerá-lo o adversário mais fácil de ser derrotado. O problema é que Flávio superou expectativas rapidamente e passou a preocupar Lula e seu entorno político.

O crescimento de Flávio nas pesquisas ocorreu por dois fatores bastante visíveis: a piora no desempenho de Lula e a rápida convergência do bolsonarismo em torno do filho mais velho de Jair Bolsonaro. Nesse cenário, a desconfiança inicial começou a diminuir, e um novo olhar passou a ser direcionado para ele.

Dito isso, vamos ao ponto central deste texto. Justamente por carregar desconfiança, tanto dentro quanto fora do próprio campo político, Flávio não possui margem para tropeços. Seu maior desafio sempre foi construir um caminho de confiabilidade. O eleitor vota em quem admira, respeita e, principalmente, confia.

Nessa construção de confiança, a margem para erros sempre foi mínima. Existem barreiras naturais nesse percurso, e qualquer tropeço faz o candidato recuar vários passos.

E eis que surge agora o escândalo envolvendo Flávio e o Banco Master. Vieram à tona relatos que revelam a proximidade entre Flávio e Vorcaro. Nas mensagens com Vorcaro, Flávio o trata como irmão, acompanhado de declarações de lealdade e amizade incondicional.

Com os fatos revelados, a confiança do eleitor fica seriamente abalada diante da contradição evidente. Aquele que hoje é apontado por muitos como símbolo de um grande escândalo financeiro passa a aparecer como alguém íntimo de Flávio. E isso contrasta diretamente com o discurso adotado até então, no qual o senador afirmava jamais ter tido contato com Vorcaro, defendia CPI para investigar o Banco Master e sugeria que o problema era ligado ao governo Lula.

Flávio agora terá de dar muitas explicações. Explicar os R$ 134 milhões destinados ao patrocínio de um filme, especialmente quando o próprio produtor afirma que se tratava de um patrocínio em que o patrocinador não queria aparecer. Também será difícil explicar a famosa camiseta com a frase: “O Pix é de Bolsonaro, o Master é de Lula”.

A mentira é o grande problema. Escândalos podem ser administrados politicamente, mas a quebra de confiança com o eleitor costuma deixar marcas profundas. Flávio sempre conviveu sob o olhar da desconfiança. Agora, deu argumentos concretos para que ela aumente ainda mais.

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