ANÁLISE: faltando 140 dias para eleição, os erros, obstáculos e desafios de Cadu Xavier

Faltam 140 dias para a eleição. Resolvi escrever, com o olhar do presente, sobre os desafios do futuro para cada um dos palanques que estão sendo formados. O que falta? Quais os obstáculos? Quais os erros?

Vamos analisar agora o palanque da esquerda, formado por PT, PV e PCdoB e tem a pré-candidatura de Cadu Xavier.

Comecemos pelos problemas. Melhor dizendo: problemões. O primeiro deles foi o rompimento inesperado de Walter Alves, que jogou no lixo um planejamento político construído pelo PT ao longo de três anos. Em seguida veio a desistência de Fátima Bezerra de disputar o Senado, outro plano antigo que também acabou frustrado. Tudo isso somado ao discurso massivo da oposição sobre uma suposta “quebradeira” no RN.

Agora, vamos tratar da disputa pelo Governo do Estado.

A última pesquisa divulgada no RN mostrou Cadu Xavier com 6,6% das intenções de voto. Cadu foi anunciado como pré-candidato do PT em março de 2025, há mais de um ano. Desde então, o argumento da base governista se repete: quando o eleitor identificar que Cadu é o candidato de Lula, ele crescerá nas pesquisas.

Mas já se passou mais de um ano e esse crescimento ainda não aconteceu como esperado. Há duas possibilidades: ou essa associação está sendo mais difícil do que se imaginava, ou o trabalho de comunicação não está funcionando de forma eficiente.

O contra-argumento é sempre o mesmo: a identificação entre Cadu e Lula só ocorrerá plenamente durante a campanha oficial. E isso pode, de fato, acontecer. Durante a campanha, Cadu tende a ser apresentado como “o candidato de Lula”. A questão é saber se dois meses serão suficientes para consolidar isso.

A esquerda enfrenta ainda outro problema: a escolha do vice. O discurso atual é de que não há pressa e de que usar o tempo a favor pode ser estratégico. No entanto, quando o PT convidou Marianna Almeida para compor a chapa, em setembro do ano passado, essa tese parecia não existir. As circunstâncias acabaram moldando o discurso.

O PT mantém conversas com o PSDB e, caso a aliança se concretize, haverá um salto político importante. Não necessariamente pelo peso do PSDB em si, mas pela presença de Ezequiel Ferreira. E, caso Ezequiel indique Milena Galvão para vice de Cadu, o ganho político pode ser ainda maior.

Outro desafio está na tentativa de fortalecer o nome de Samanda Alves para o Senado. As pesquisas indicam dificuldades na estratégia adotada. Não por Samanda em si, mas pelo perfil político dela. Ela enfrenta obstáculos para conquistar votos fora da bolha petista — tem dificuldades de avançar ao centro, e presa na bolha, dificilmente se elege senadora.

Foi nesse contexto que surgiu Rafael Motta. Com perfil progressista, trânsito entre setores da esquerda e do centro e boa capacidade de diálogo, Rafael rapidamente se tornou o nome mais competitivo do campo governista para o Senado, aparecendo com mais de 20 pontos nas pesquisas em menos de um mês após ser indicado pelo PDT.

Os desafios da esquerda são muitos: consolidar a aliança com o PSDB, definir Milena Galvão como vice, fortalecer a ligação entre Cadu e Lula, aproveitar melhor a polarização política, defender o governo com mais eficiência e fortalecer a chapa ao Senado.

Por outro lado, o campo governista possui ativos importantes: ser o palanque de Lula — maior eleitor do RN —, contar com as estruturas dos governos federal e estadual, ter nominatas fortes para deputado estadual e federal, carregar o recall das vitórias de Fátima Bezerra em 2018 e 2022 e apresentar um candidato ao governo com potencial carismático e boa capacidade argumentativa.

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