ANÁLISE: faltando 140 dias para eleição, os erros, obstáculos e desafios de Álvaro Dias

Faltam 140 dias para a eleição. Resolvi escrever, com o olhar do presente, sobre os desafios do futuro para cada um dos palanques que estão sendo formados. O que falta? Quais os obstáculos? Quais os erros?

Vamos começar pelo Partido Liberal de Álvaro Dias.

Álvaro enfrenta vários problemas. Vou listar os principais: a crise na campanha de Flávio Bolsonaro, o desconhecimento do eleitorado do interior, a fraca capacidade argumentativa para defender suas bandeiras e a falta de carisma.

Vou falar rapidamente sobre cada um deles.

Ninguém sabe ainda o tamanho do estrago na campanha bolsonarista nacional e nos estados após Flávio Bolsonaro ser flagrado em conversas pouco republicanas com Vorcaro. Isso deverá ser medido nas próximas pesquisas. Mas que há desgaste, há.

Hoje, Álvaro ainda não consegue ser reconhecido na maioria das cidades do interior do RN. Se for sozinho, entra e sai dessas cidades, vai ao mercado, come uma buchada e vai embora sem que ninguém saiba quem ele é.

Álvaro ganha mais votos calado do que falando. O que dizer da privatização da UERN? Ou do episódio em que acusou um repórter de fazer perguntas petistas? E da jornada 6×1, cuja resposta foi afirmar que seguirá o que Rogério Marinho decidir sobre o tema? Convenhamos: é uma deficiência argumentativa grave.

A falta de carisma também está evidente nas redes sociais do pré-candidato. Não há povo nas postagens, não há interação popular. Há lideranças e eventos, mas falta povo.

Entre os problemas, há ainda a questão da chapa para o Senado, com o senador Styvenson Valentim se recusando a fazer campanha conjunta com o restante do grupo. Styvenson não se mistura.

Não há dúvidas de que o PL está entregando a Álvaro Dias uma campanha estruturada: uma centena de prefeitos, um fundo partidário robusto, duas nominatas fortes para deputados estaduais e federais, tempo de rádio e TV, uma bandeira ideológica consolidada e, além disso, a fidelidade de cerca de um quarto do eleitorado potiguar.

Há muitos desafios pela frente.

Será preciso ajustar o discurso, melhorar a capacidade de comunicação com a população, fazer com que os prefeitos vistam a camisa, driblar o problema nacional provocado pelo escândalo do Banco Master recaindo sobre a direita, usar melhor a polarização a seu favor e se tornar conhecido no interior.

Álvaro fechou a chapa cedo demais, o que acabou inibindo alianças. O PSDB, por exemplo, hoje parece ter mais chances de se aliar ao PT do que ao grupo de Álvaro.

Seus grandes potenciais são a força das nominatas, a estrutura de campanha, o apoio de cerca de 100 prefeitos, o fundo partidário, o voto consolidado da direita e a possibilidade de conquistar votos de centro.

Mas, entre todos os desafios, o que mais chama atenção é a imagem pessoal do candidato. Álvaro transmite uma imagem sem brilho, mecânica e com falas pouco produtivas. Falta carisma.

Sobre isso, alguém já argumentou comigo que Robinson Faria também não tinha carisma e, ainda assim, tornou-se governador. Mas a história era outra: naquela eleição, o eleitor queria derrotar Henrique. Em 2026, faltam “Henriques”.

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