Os argumentos dos EUA para taxarem novamente o Brasil não param de pé

Não há nada mais frágil do que os argumentos apresentados pelos Estados Unidos para impor novas tarifas ao Brasil, desta vez de 25%.

Vejamos os quatro principais argumentos:

  • O Brasil não faz o suficiente para combater a corrupção;
  • O Brasil criou o PIX, que seria injusto e discriminatório contra empresas americanas;
  • O Brasil não faz o suficiente para combater o desmatamento ilegal;
  • O Brasil adota medidas arbitrárias contra grandes provedores de conteúdo na internet.

Analisados um a um, esses argumentos não se sustentam. Isso porque, em todos esses aspectos, os próprios Estados Unidos adotam práticas semelhantes ou até mais questionáveis.

No campo do combate à corrupção, por exemplo, foi justamente durante o atual governo Trump que houve um afrouxamento significativo da fiscalização. Diversas investigações relacionadas à corrupção foram interrompidas ou tiveram seu alcance reduzido por decisões da administração americana.

Na área ambiental, Trump vem promovendo uma ampla revisão da legislação dos Estados Unidos, flexibilizando regras de proteção ambiental. As mudanças favorecem atividades potencialmente mais agressivas ao meio ambiente e afastam o país de compromissos internacionais voltados à preservação ambiental.

E o que dizer das críticas às medidas adotadas pelo Brasil contra empresas americanas que descumprem leis brasileiras nas redes sociais? Basta observar o tratamento dado pelos próprios Estados Unidos à empresa chinesa proprietária do TikTok, pressionada a vender sua operação americana para atender às exigências do governo norte-americano.

Quanto ao PIX, também não faltam exemplos de medidas adotadas pelos Estados Unidos para proteger seus próprios sistemas financeiros e ampliar sua influência econômica sobre outros países, enquanto preservam privilégios para empresas e plataformas americanas.

O que causa estranheza é ver brasileiros defendendo essas contradições e argumentando que a submissão aos interesses americanos seria o melhor caminho para o país.

O que existe de concreto em toda essa história é a atuação de um governo estrangeiro que busca, por diferentes meios, ampliar sua influência sobre a América Latina. E o Brasil, por sua dimensão econômica, territorial e geopolítica, acaba sendo um dos principais obstáculos a esse projeto.

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