O discurso agressivo de Kelps Lima, apontando sua metralhadora para dentro da sua própria nominata federal, não parece ser apenas uma peça de marketing para atrair protagonismo. Tem mais cara de ressentimento do que de estratégia.
E não é a primeira vez que Kelps dispara contra aliados. Quem não lembra de março, quando ele ameaçou deixar a nominata por causa do suposto descumprimento de compromissos assumidos?
A situação só foi amenizada depois que João Maia, Robinson Faria e Benes Leocádio entregaram a Kelps algumas prefeituras de suas bases políticas. Há quem fale em nove prefeituras. Outros citam seis. O fato é que houve uma operação para acomodar a insatisfação do ex-deputado.
Pois bem, o fato novo é que Kalps voltou com artilharia pesada. Há sinais de que alguns apoios repassados para Kelps estariam fazendo o caminho de volta. Ou seja, mantêm formalmente o apoio a Kelps, mas, na prática, continuam trabalhando para seus aliados originais.
Kelps Lima pode ser chamado de muitas coisas, mas dificilmente de inexperiente ou ingênuo. Ele não utilizaria os termos e as construções verbais que empregou contra João Maia, Benes Leocádio e Robinson Faria sem ter razões políticas relevantes para isso.
Ao declarar que seus verdadeiros adversários são os três deputados e que seu objetivo é deixar um ou dois deles sem mandato, Kelps faz uma afirmação que, sob certo aspecto, é verdadeira. Em uma disputa por vagas na Câmara Federal, todos os candidatos concorrem entre si.
Na fala de Kelps ele nega que sequer seja amigo dos três deputados e os classificou como políticos retrógrados. O problema está no tom adotado e no contexto em que Kelps está falando. Antes disso, Kelps já havia colocado o trio na prateleira dos políticos irrelevantes e incompetentes. Foi em abril, durante entrevista à Rádio Difusora, quando classificou a atual bancada federal do Rio Grande do Norte como irrelevante e incompetente.
Política é uma atividade baseada em confiança, convivência e reciprocidade. Mas, é claro, isso para aliados. E Kelps faz questão de dizer que não tem nenhuma identidade com esses três, que não são aliados.
Por outro lado, Kelps faz um discurso de amigo de primeira hora de Allyson Bezerra e joga João, Benes e Robinson na vala dos oportunistas de última hora. Tudo tem um sentido: jogar os concorrentes numa vala comum e se mostrar o diferencial.
Uma coisa, porém, parece certa: as regras de boa convivência dentro da nominata formada por União Brasil e PP foram quebradas. E, quando isso acontece, dificilmente as consequências ficam restritas apenas ao discurso.




