Deputado estadual: os números das pesquisas escondem um alerta e um caminho para os candidatos

Tenho olhado com atenção as pesquisas em relação ao voto para deputado estadual. Todos sabem que se trata de uma pergunta espontânea, com centenas de respostas possíveis e, por isso mesmo, com uma margem de erro muito maior quando analisamos individualmente o desempenho de cada candidato.

Quando as pesquisas são registradas, dou logo uma olhada na documentação para ver os municípios que farão parte da amostra. A partir dessa informação, já consigo antecipar várias conclusões antes mesmo que o relatório seja divulgado. Geralmente, esses municípios são escolhidos por sorteio dentro dos recortes de cada região.

Assim, se a pesquisa passar por Assú, sei que Gustavo Soares vai aparecer bem. Se passar por Mossoró, Cínthia de Allyson dispara. Se tiver São Miguel na lista, Galeno Torquato tende a ir bem. Do mesmo modo, quando alguma cidade de referência de determinado candidato não está na amostra, seu desempenho tende a cair.

Como explicar um candidato que aparece no top 10 de uma pesquisa e mal é citado na pesquisa seguinte? Justamente pelo que expliquei acima.

Por isso, ao analisar uma pesquisa proporcional, é necessário observar essa relação de municípios. Melhor ainda é verificar em quantas cidades diferentes o candidato é citado. Aí, sim, reside uma informação importante para essas análises. Quanto maior o número de cidades em que aparecem citações ao candidato, maior tende a ser a capilaridade de seu voto.

Além disso, chamo a atenção para a desinformação do eleitor sobre o voto para deputado. Olhando a última pesquisa Datavero, observei que, na pergunta para deputado federal, 60 entrevistados citaram algum nome. Destes, 36 citaram o nome de um candidato a deputado estadual.

Ou seja, 60% daqueles que responderam em quem pretendem votar para deputado federal citaram, na verdade, um candidato a deputado estadual. Isso mostra um nível importante de confusão do eleitor na escolha dos cargos e pode resultar em votos inválidos na urna caso ele digite um número correspondente ao cargo errado.

Some-se a isso o fato de que, nessa mesma pesquisa Datavero, 59,1% dos entrevistados não sabem em quem vão votar para deputado estadual ou estão dispostos a não votar em ninguém.

Tudo isso nos leva à seguinte conclusão: é necessário convencer o eleitor a votar e, além disso, ensinar o eleitor a votar corretamente. Essa pode ser uma das grandes estratégias para as três últimas semanas de campanha.

O candidato que conseguir colocar suas equipes em campo com essa missão e for eficiente terá uma enorme vantagem.

É bem provável que, às vésperas da eleição, ainda tenhamos um número elevado de eleitores sem uma escolha definida para deputado estadual. Possivelmente mais de um terço do eleitorado. Por isso, visibilidade na reta final é outro bom conselho para os candidatos.

É preciso ser visto de alguma forma, tentar chegar ao eleitor por algum caminho. Quando o eleitor ainda não encontrou motivos claros para votar em A ou B, uma campanha presente, visível e próxima pode acabar oferecendo o motivo que faltava para a escolha.

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