ANÁLISE DE PESQUISA: o salto de Allyson – o que explica uma subida de 34% para 43%?

Gosto de analisar pesquisas. Ontem à noite, quando foi divulgada a pesquisa Metadata/Grupo Dial, percebi de imediato um dado que chama a atenção. O candidato Allyson Bezerra cresceu de 34,2% para 43,0%, um avanço de 8,8 pontos percentuais entre uma pesquisa e outra.

Considerando o eleitorado do Rio Grande do Norte, de 2.660.565 eleitores, esses 8,8 pontos percentuais representam, numa projeção direta sobre o eleitorado total, cerca de 234 mil eleitores. É um movimento expressivo para o intervalo entre duas pesquisas.

Meu interesse imediato foi tentar entender o que poderia explicar um crescimento tão acentuado. Considerando as quatro últimas pesquisas do mesmo instituto, Allyson tinha 35,5% em maio, 34,8% em junho, 34,2% em agosto e agora aparece com 43,0%.

Nos três levantamentos anteriores, portanto, o candidato do União Brasil apresentava uma trajetória praticamente linear. Houve uma queda de 0,7 ponto de maio para junho, outra de 0,6 ponto de junho para agosto e, agora, uma alta de 8,8 pontos.

Nessa mesma série de quatro pesquisas, Cadu Xavier também apresentou um crescimento expressivo: saiu de 6,6% das intenções de voto em maio para 20,1% em setembro. Nesse caso, houve entre analistas uma explicação recorrente para parte desse movimento: a adoção do nome de urna “Cadu de Lula” estabeleceu uma associação mais direta com o presidente Lula e pode ter contribuído para ampliar a identificação do candidato junto ao eleitorado.

Há ainda outro aspecto relevante no caso de Cadu: seu crescimento não apareceu apenas de uma vez. A tendência de alta foi sendo detectada gradualmente nas pesquisas, inclusive em levantamentos realizados por diferentes institutos.

Vejam bem: não estou questionando os números da pesquisa Metadata por causa do salto de Allyson. O objetivo desta análise é outro: tentar compreender as razões desse movimento e identificar quais fatores poderiam explicar uma mudança dessa magnitude em um intervalo relativamente curto.

Quando observamos os quatro últimos resultados de Allyson Bezerra na Metadata — 35,5%, 34,8%, 34,2% e 43,0% — fica evidente uma mudança brusca de comportamento da curva. Depois de três levantamentos marcados pela estabilidade e pequena queda, setembro registra uma alta muito acima das oscilações anteriores. Naturalmente, isso desperta a pergunta: o que mudou?

Um primeiro elemento precisa ser considerado. A pesquisa anterior da Metadata foi realizada antes do início da campanha eleitoral. Aqui já reside uma possível explicação. Campanha de rua, maior exposição dos candidatos, propaganda eleitoral no rádio e na televisão e o próprio aumento do interesse do eleitor pela disputa podem produzir movimentações nas intenções de voto.

O detalhe é que outros institutos que já realizaram pesquisas com a campanha em andamento e após o início da propaganda eleitoral ainda não detectaram um crescimento de Allyson nessa mesma magnitude. Pelo menos, até agora.

Outra hipótese é o processo natural de definição do eleitor indeciso à medida que a eleição se aproxima. Os próprios números da Metadata, porém, mostram que essa explicação, isoladamente, não parece suficiente. Em agosto, os indecisos representavam 11,1%; agora são 8,2%. Uma redução de 2,9 pontos percentuais, bem inferior aos 8,8 pontos de crescimento registrados por Allyson.

Isso significa que, se o avanço apontado pela Metadata refletir uma tendência consolidada, ele não pode ser explicado apenas pela redução dos indecisos. É necessário considerar também possíveis movimentos de migração de votos entre candidatos, além dos efeitos da campanha e da maior exposição eleitoral.

Por isso, considero prudente aguardar as próximas pesquisas. Elas serão importantes para identificar se esse crescimento acentuado de Allyson também será captado por outros institutos e, consequentemente, se estamos diante de uma nova tendência da disputa.

Também será especialmente relevante acompanhar a próxima pesquisa Metadata. Ela poderá mostrar se o patamar de 43% se mantém, se há continuidade da trajetória de crescimento ou se o resultado divulgado agora representou uma oscilação pontual dentro da série.

Em pesquisa eleitoral, um número chama a atenção. Uma sequência de números é que revela uma tendência.

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