Além dos 32 votos que faltaram: uma explicação sobre porque Robinson Faria não se reelegeu

Imagino a frustração do deputado federal Robinson Faria ao olhar para o resultado e perceber que ficou a apenas 32 votos de renovar seu mandato na Câmara dos Deputados.

Uma diferença tão pequena deve provocar uma revisão de toda a campanha: o apoio político que escapou, o reduto em que o empenho poderia ter sido maior, a liderança que não correspondeu à expectativa. Deve estar passando um festival de razões pela cabeça de Robinson. Afinal, quando faltam tão poucos votos, qualquer oportunidade perdida ganha um peso enorme.

Na minha leitura, porém, há uma explicação mais ampla para sua derrota. Entre os três candidatos mais fortes do União Brasil/PP, Robinson tinha uma estrutura expressiva de apoios, mas era o nome que encontrava mais resistência entre os eleitores. Sua dificuldade estava em transformar essa estrutura em votos.

Esse desgaste ganhou força quando Kelps Lima passou a apresentar Robinson como o pior governador da história do Rio Grande do Norte. A expressão repercutiu e trouxe de volta ao debate a avaliação de sua passagem pelo governo.

Depois, as campanhas de Cadu de Lula e Álvaro Dias passaram a explorar a ligação de Robinson com Allyson Bezerra para atingir o candidato ao governo. Robinson foi apresentado como o aliado cuja presença colocaria em dúvida o discurso de mudança de Allyson.

Vieram os carimbos: “o pior governador”, “Allyson de Robinson” e as referências aos atrasos de quatro folhas de pagamento e à crise da previdência dos servidores durante sua gestão. Na narrativa dos adversários, Robinson virou o menino mau da história.

Embora esses ataques buscassem atingir Allyson, também colocavam o próprio Robinson no centro da rejeição. Ao disputar a reeleição para deputado federal, ele precisava pedir votos enquanto sua imagem como ex-governador era permanentemente lembrada de forma negativa.

Nas cidades, seus apoiadores sentiam essa dificuldade. Ter uma liderança ao lado da candidatura não significava conseguir convencer o eleitor. O apoio existia, mas o nome pesava na hora de pedir o voto.

Mossoró oferece um exemplo desse contraste. Robinson, João Maia e Benes Leocádio contaram com uma boa estrutura política e, segundo a divisão de apoios organizada por Allyson entre seus aliados na cidade, partiram de condições semelhantes de sustentação.

O resultado, entretanto, foi bastante diferente: João Maia recebeu 5.933 votos; Benes Leocádio, 4.993; e Robinson, 2.948. Esses números, isoladamente, não explicam a derrota, mas ajudam a ilustrar a dificuldade de converter apoio político em adesão eleitoral.

Ouvi de vários apoiadores de Robinson que, ao entrar nas casas, encontravam resistência para convencer o eleitor a votar nele. Segundo esses relatos, pedir votos para os outros candidatos era mais fácil.

Por isso, entendo que a campanha de Robinson ficou mais difícil a partir do momento em que a avaliação negativa de seu governo voltou ao centro do debate. Seus adversários conseguiram associar sua candidatura a lembranças que ele precisava superar para renovar o mandato.

Os 32 votos que faltaram tornam compreensível a busca por uma falha pontual. Mas, na minha avaliação, a principal explicação está no desgaste que limitou seu crescimento ao longo da campanha. Robinson reuniu bons apoios em todo o RN. O que não conseguiu, na medida necessária, foi vencer a resistência ao próprio nome.

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