A candidatura de “pré-moldado” que Flávio Rocha está desenhando para o povo do RN

Sobre a pré-candidatura de Flávio Rocha ao Senado, as únicas informações que o eleitor do Rio Grande do Norte possui até agora são de que ele é filiado ao Partido Novo e de que transferiu seu domicílio eleitoral para o estado há cerca de um mês.

Convenhamos: isso é muito pouco.

Caso Flávio Rocha venha mesmo a disputar o Senado, seu projeto já começa de forma equivocada. E não se trata apenas de estratégia política — trata-se de respeito ao eleitor. Até aqui, não houve fala, não houve posicionamento, não houve sequer uma declaração pública que permita ao cidadão compreender suas ideias, suas motivações ou seus compromissos. Nem mesmo um esclarecimento mínimo sobre o que pretende fazer.

Foi necessário que o presidente estadual do Partido Novo viesse a público para confirmar a pré-candidatura — algo que deveria partir do próprio interessado. Ainda assim, a dúvida permanece, porque é impossível fazer a leitura de uma candidatura que sequer se apresenta. Trata-se, na prática, de uma pré-candidatura invisível.

É possível que, em algum momento, Flávio Rocha venha a público oficializar sua intenção e apresentar seu projeto. Mas isso não apaga a forma como tudo começou: sem diálogo, sem transparência e sem qualquer tentativa de conexão com a população.

O jurista Paulo Linhares, em seu programa “Mais Política”, na Rádio Difusora, foi preciso ao definir esse movimento como uma possível inovação: a chamada “candidatura de pré-moldado” — aquela que já chega pronta, acabada, sem as etapas do processo de construção.

A analogia é pertinente. Hoje, grandes obras são erguidas com estruturas pré-moldadas, que permitem rapidez e eficiência. No entanto, na política, a lógica não pode ser a mesma. Uma candidatura não é uma peça industrial que se instala — é um projeto que precisa ser construído junto com o eleitor.

Flávio Rocha pode até desembarcar, em algum momento, com uma candidatura pronta. Mas o principal erro já está posto: ignorar o eleitor no ponto de partida. E, em política, não basta apresentar um pacote fechado — é indispensável combinar com quem realmente decide o jogo: o povo.

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