É apenas uma questão de tempo para que o Cabo Deyvison, candidato a deputado federal pelo PL, perca o mandato de vereador em Mossoró. Ele tenta convencer a Justiça de que deixou o MDB e se filiou ao PL por justa causa, mas as chances de êxito são reduzidas.
A perda do mandato o afastará da Câmara Municipal, mas poderá lhe render um importante ativo político: o discurso de vítima de perseguição. O cabo tem afirmado, em diferentes ocasiões, que a ação movida pelo MDB para cassar seu mandato atende aos interesses do ex-prefeito Allyson Bezerra, a quem aponta como o principal articulador da ofensiva.
Essa narrativa de perseguição, que certamente será explorada durante a campanha, pode acabar ampliando sua visibilidade e projeção eleitoral, transformando a estratégia dos adversários em um verdadeiro tiro pela culatra. Dependendo da forma como conduzir o discurso, Deyvison pode conseguir sensibilizar parte do eleitorado.
O pano de fundo dessa disputa é outro: hoje, Cabo Deyvison desponta como o principal nome da oposição a Allyson Bezerra em Mossoró. E tem conseguido incomodar.
Prova disso é que Allyson estruturou uma estratégia própria para essa eleição a fim de conter o crescimento político do adversário na cidade.
Sem poder apresentar um candidato próprio e competitivo a deputado federal em Mossoró e comprometido com o acordo político firmado com João Maia, Benes Leocádio e Robinson Faria para a divisão das bases eleitorais locais, o ex-prefeito passou a estimular o surgimento de diversas candidaturas de menor porte em Mossoró com o objetivo de reduzir o potencial eleitoral de Deyvison.
São pelo menos cinco candidaturas a deputado federal, distribuídas entre o próprio União Brasil e outras nominatas, cuja principal função é disputar votos em Mossoró e evitar que Cabo Deyvison permaneça como o único candidato local competitivo na corrida pela Câmara dos Deputados.
Tanto Allyson quanto Deyvison têm os olhos voltados para a disputa municipal de 2028. O desempenho de ambos nas eleições de 2026 deverá influenciar diretamente a correlação de forças para a sucessão em Mossoró. Por isso, cada movimento feito agora parece ser pensado não apenas para a eleição deste ano, mas também para o confronto político que se desenha no futuro.





