Nas conversas que mantive com integrantes do Partido dos Trabalhadores sobre a eleição do mandato-tampão, percebi um clima de otimismo em relação ao resultado. O Governo tem atuado com intensidade nesse objetivo, e a estratégia de buscar os 13 votos necessários para eleger o sucessor da governadora Fátima Bezerra vem apresentando sinais positivos.
O que consegui apurar sobre a eleição indireta prevista para abril é que, apesar do ambiente favorável, há uma resistência considerável ao nome de Cadu Xavier como indicação do PT para o mandato-tampão.
Vários deputados fizeram chegar ao Governo a avaliação de que seria mais fácil votar em um nome governista caso fosse alguém com perfil mais técnico e menos identificado com o ativismo político. A sugestão é que a governadora busque, dentro de seu próprio grupo, um nome mais neutro, que não provoque um confronto político imediato com a oposição.
O argumento desses parlamentares é que o ideal seria evitar que a eleição indireta de abril se misture de forma intensa com a disputa eleitoral de outubro. Tratam-se de deputados que vêm se alinhando a grupos de oposição, mas que ainda admitem votar em um nome do Governo. Quanto mais acirrada for a disputa, avaliam eles, mais difícil será conquistar esses votos.
Nas conversas, os governistas também percebem que os dois palanques de oposição não demonstram, neste momento, grande interesse na eleição do mandato-tampão, por receio de desgaste político. Por isso, a tendência é que esses grupos não concentrem muita energia nessa eleição atípica. No entanto, esse cenário pode mudar caso o nível de confronto aumente.
A estratégia do Governo, portanto, é manter o diálogo com deputados que já votaram com o Executivo em pautas recentes e que, mesmo se aproximando da oposição, ainda preservam canais abertos com a Governadoria. São justamente esses parlamentares que alertam o Governo para não insistir no nome de Cadu Xavier, como forma de evitar um embate político desnecessário pra essa etapa.





