Quando Allyson Bezerra sentou para conversar com Carlos Eduardo Alves, ainda no fim de março, havia um cálculo político claro entre os dois: a candidatura de Carlos ao Senado abriria portas importantes para Allyson em Natal, principal colégio eleitoral do Estado.
A estratégia, no entanto, perdeu força após a senadora Zenaide Maia rejeitar a possibilidade de formar dobradinha com Carlos Eduardo. Com isso, o acordo foi desfeito e o União Brasil decidiu manter apenas Zenaide como candidata ao Senado.
A consequência imediata foi a perda de um aliado com forte influência eleitoral na capital. Sem Carlos Eduardo, Allyson volta a enfrentar dificuldades em Natal, justamente no eleitorado mais estratégico da disputa, responsável por cerca de 21% dos votos do RN. A avaliação de seus adversários é de que esse é o ponto mais vulnerável da pré-campanha do ex-prefeito de Mossoró.
Nesse contexto, o anúncio de Paulinho Freire como coordenador da campanha de Álvaro Dias em Natal foi interpretado como um movimento direto para enfraquecer Allyson na capital. A intenção é impedir que vereadores natalenses ligados ao prefeito se aproximem do pré-candidato do União Brasil. Allyson havia tentado sinalizar força política ao publicar foto ao lado de vereadores da cidade, mas a entrada de Paulinho no jogo tende a dificultar essa articulação.
Além disso, setores ligados ao grupo da governadora Fátima Bezerra também atuam para reduzir o espaço político de Allyson em Natal. Lideranças como Natália Bonavides e Eudiane Macedo aparecem como peças importantes nesse movimento. Sem apoios sólidos na capital e diante da ofensiva simultânea de adversários da direita e da esquerda, Allyson pode enfrentar dificuldades maiores do que imaginava no eleitorado natalense.





