Meias verdades e meias mentiras que estão sendo ditas sobre a operação Mederi da PF

Há algumas meias verdades e interpretações imprecisas circulando sobre a Operação Mederi, da Polícia Federal.

O tema da vez é um áudio captado em uma conversa na sede da Dismed, no qual Oseas Monthalggan Fernandes Costa, sócio da empresa, diz: “esse prefeito é ladrão”. A frase passou a circular como se tivesse sido uma acusação direta contra Allyson Bezerra.

Não foi isso que Oseas disse.

O áudio existe e integra os autos da investigação. No trecho, porém, Oseas constrói uma situação hipotética sobre como agiria caso fosse prefeito. Ele afirma que, se fosse prefeito e seus funcionários dissessem “esse prefeito é ladrão”, não se importaria.

Portanto, apresentar isoladamente a frase como se Oseas tivesse chamado Allyson Bezerra de ladrão distorce o contexto em que ela foi pronunciada.

Isso não significa, entretanto, que o restante da conversa seja irrelevante para a investigação.

Na sequência do diálogo, Oseas contrapõe a situação hipotética à postura atribuída a Allyson e fala sobre o cuidado para que determinadas informações não chegassem ao conhecimento de outras pessoas. A própria Polícia Federal atribui relevância investigativa a esse trecho, embora ele não constitua, isoladamente, prova direta contra o ex-prefeito.

Há também outra afirmação que merece cautela: a de que a investigação, até agora, não encontrou nada contra Allyson.

Uma investigação em andamento não permite uma conclusão definitiva nesse sentido. Não é possível afirmar publicamente tudo o que a Polícia Federal já conseguiu ou deixou de conseguir reunir ao longo das diligências.

O fato objetivo é que a investigação continua.

A Polícia Federal solicitou mais prazo para concluir o inquérito, e houve prorrogação por mais 90 dias. Entre as diligências ainda pendentes estão perícias relacionadas às licitações investigadas e análises de equipamentos eletrônicos apreendidos.

Somente com o avanço e a conclusão da investigação será possível conhecer de maneira mais completa o conjunto de elementos reunidos pela Polícia Federal e os eventuais desdobramentos do caso.

Nesta fase, é correto afirmar que Allyson Bezerra é investigado no âmbito da Operação Mederi. A apuração envolve suspeitas relacionadas a contratos e compras de medicamentos com recursos públicos, incluindo possíveis fraudes em licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Allyson nega irregularidades.

Também não é preciso afirmar, como vem sendo feito em alguns discursos, que o ex-prefeito de Mossoró poderá ser preso nos próximos meses.

Uma investigação criminal em andamento pode ter diferentes desdobramentos, e uma eventual prisão cautelar dependeria da existência de fundamentos jurídicos específicos e de decisão judicial. Não existe, portanto, base para tratar uma futura prisão como consequência automática da Operação Mederi.

O melhor caminho para compreender o caso é separar aquilo que efetivamente consta na investigação das interpretações políticas que estão sendo construídas em torno dela.

Nem transformar um trecho de áudio em algo que ele não diz, nem antecipar uma conclusão de inocência que uma investigação ainda em andamento não permite estabelecer.

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