O futuro incerto de Rogério Marinho sem Bolsonaro em cena

Sempre esteve claro que o senador Rogério Marinho apostou todas as suas fichas políticas na ligação umbilical com o bolsonarismo. Embora não seja um bolsonarista raiz — suas origens estão na antiga Juventude Socialista do RN — ele aderiu à direita radical por oportunismo e nela construiu sua trajetória recente.

No bolsonarismo, Rogério encontrou espaço após a derrota de 2018, quando ficou sem mandato de deputado federal. Antes de retornar para Natal, conseguiu uma vaga na equipe do ministro Paulo Guedes e, a partir daí, sua projeção política mudou de patamar.

Desde então, mantém fidelidade quase incondicional a Jair Bolsonaro. É possível que tenha recebido promessa de compor uma chapa presidencial, caso o ex-presidente revertesse sua inelegibilidade, ou algum outro aceno político de peso.

Hoje, Rogério vislumbra três alvos claros numa escala de prioridades: integrar uma chapa presidencial, ou disputar o Governo do Estado ou presidir o Senado. Mas o cenário futuro pode mudar drasticamente. Se Bolsonaro for condenado e iniciar o cumprimento de pena, e Tarcísio de Freitas surgir como candidato presidencial do centrão, o protagonismo de Rogério pode se esvair.

Tarcísio representa o bolsonarismo sem Bolsonaro e dificilmente promoveria Marinho, tanto à presidência do Senado quanto a outros espaços nacionais. Nesse contexto, Rogério tende a perder relevância, pois o grupo que sustenta Tarcísio busca eliminar resquícios diretos do bolsonarismo familiar — e Rogério é uma dessas sementes.

Resta saber qual será o saldo dessa aposta: o senador que se ancorou na ala mais extrema do bolsonarismo poderá ver seu capital político ruir junto com a decadência de Bolsonaro. O desfecho dessa trajetória ainda está por vir.

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