Quando a política se apequena: a duplicação começou, mas nem todos quiseram enxergar

Estive ontem em Assu para acompanhar a assinatura da ordem de serviço da duplicação da BR-304. Fui para observar, ouvir e anotar. Várias coisas me chamaram a atenção.

A primeira foi a cordialidade da governadora Fátima Bezerra que, mesmo diante do rompimento tornado público pelo vice-governador Walter Alves, o tratou com educação e respeito, inclusive citou – apesar de alguns integrantes da mídia terem dito que não citou – seu nome entre os agradecimentos feitos aos que lutaram pela duplicação da rodovia.

Também me chamou a atenção a própria atitude de Walter Alves que, bem no auge do rompimento com o PT, num momento em que os ânimos estão exaltados, compareceu ao evento de cabeça erguida, sem temor, tratando a todos com cordialidade.

Vasculhei as redes sociais da bancada federal do Rio Grande do Norte. As de João Maia, Benes Leocádio, Robinson Faria, Carla Dickson, Zenaide Maia, Rogério Marinho e Styvenson Valentim. Dos prefeitos Allyson Bezerra e Paulinho Freire. Em todas essas redes, não vi uma única postagem, uma única citação sequer, para noticiar, referenciar ou dar um “piu” sobre o histórico dia que marcou o início das obras da duplicação da BR-304.

Por isso elogiei acima a postura de Walter Alves. Mesmo diante da possibilidade de ser vaiado ou até hostilizado, em um evento massivamente petista, esteve presente e cumpriu seu papel. Não cobro que a oposição ao PT estivesse no evento — acho justificável não terem ido —, mas considero de uma pequenez muito grande fingir que o fato simplesmente não existiu.

Não custava nada fazer uma postagem registrando o início da obra, pela sua importância para a vida do povo potiguar. Demonstrar espírito público. Não faço essa crítica para atingir a oposição, nem para enaltecer os governistas, porque sei que, se as posições estivessem invertidas, a situação provavelmente seria a mesma. A crítica é pela falta de visão sobre o bem maior.

Ainda sobre o que observei ontem em Assu, achei interessante o fato de que a solenidade terminou por volta das 12h30 e, cerca de meia hora depois, as máquinas já estavam a pleno vapor, revirando a terra e iniciando efetivamente os trabalhos.

Por fim, discordo da organização do evento, que escolheu um ponto da BR-304 a seis quilômetros de Assu, quase no meio do nada, para a assinatura da ordem de serviço. Isso quando poderia ter sido em Mossoró, onde moradores de bairros próximos poderiam acompanhar, além da presença de vários canais de mídia que fariam divulgação espontânea. Não entendi o critério dessa escolha.

E, para concluir, chamou minha atenção a cena dos políticos presentes, cada um acompanhado de seu videomaker, uma multidão de celulares filmando, uns se atropelando nos outros, registrando cada aperto de mão, cada abraço. Fiquei com a sensação de que, hoje, os fatos só existem se couberem em um pequeno vídeo para as redes sociais.

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