Raimundo Alves diz que demora do vice é tática, mas bastidores mostram dificuldades

O secretário da Casa Civil da governadora Fátima Bezerra e principal articulador político do grupo, Raimundo Alves, declarou que a demora do PT em definir o vice na chapa de Cadu Xavier é estratégica, e não um sinal de enfraquecimento.

Raimundo avalia que o PT possui uma vantagem tática sobre seus adversários ao postergar essa escolha, o que amplia o espaço para articulação política. Segundo ele, há chapas no Rio Grande do Norte que foram fechadas precocemente e que hoje enfrentam dificuldades internas, com aliados insatisfeitos com a composição. Sem citar nomes, afirmou que há “gente doida para ser livrar do vice”.

A declaração de Raimundo Alves, no entanto, pode ser interpretada como uma meia-verdade. De fato, escolher o vice no tempo adequado não representa, necessariamente, fragilidade — pode, sim, fazer parte de uma estratégia legítima. Contudo, no caso do PT, a postergação também decorre de tentativas frustradas de composição.

Ainda em julho de 2025, quase um ano atrás, o partido tornou público o convite à prefeita de Pau dos Ferros, Marianna Almeida, para compor como vice. Na ocasião, ela não respondeu de imediato e, posteriormente, declarou apoio a Allyson Bezerra.

Mais recentemente, o PT realizou uma segunda investida, desta vez sem divulgação pública. O alvo foi o ex-prefeito de Assú, Gustavo Soares. Ele recusou o convite e chegou a sugerir o nome de uma irmã, proposta que não foi aceita.

Raimundo Alves defende que o vice de Cadu seja um ex-prefeito ou ex-prefeita com capilaridade eleitoral e influência regional, preferencialmente fora dos quadros do PT. Até o momento, porém, esse nome ainda não se concretizou.

Não há, por si só, demérito ou sinal de enfraquecimento no fato de o PT ainda não ter definido o vice. A função exige alguém capaz de somar eleitoralmente, e o timing da escolha não é determinante. No entanto, é inegável que o partido tentou viabilizar nomes e não obteve sucesso. Nesse sentido, a estratégia parece menos uma escolha deliberada e mais uma consequência do cenário.

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