E, para quem achava que finalmente a política potiguar rumava para um terreno de previsibilidade, em que o fechamento das nominatas seria o último ato ainda com alguma emoção do jogo, eis que os roteiristas dessa novela resolveram abrir um capítulo extra.
O anúncio feito hoje pelo ainda prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, de que está assumindo o controle do Republicanos no estado e indicando o vice-prefeito Marcos Medeiros para a presidência do partido é o tipo de evento surpresa que reabre o jogo e amplia as possibilidades.
Inicialmente, porque Allyson deu um drible sem tamanho em Álvaro Dias, Rogério Marinho, Ezequiel Ferreira, Styvenson Valentim e Paulinho Freire, deixando todos de boca aberta com a tomada do Republicanos. Allyson colocou todo mundo no bolso.
Mas, como toda ação provoca uma reação, é possível que o contragolpe que virá mude novamente o jogo. Isso envolve a própria governadora Fátima Bezerra.
Vou explicar meu raciocínio: Fátima desistiu de renunciar porque não tinha garantias de eleger seu sucessor para o mandato-tampão. A mudança inesperada, que fez Ezequiel perder o Republicanos, pode ser o motivo para Fátima e Ezequiel voltarem a conversar sobre esse mandato. E aí todo o jogo pode mudar novamente.
Não acho isso improvável. Ezequiel vai reagir. Ele viu Rogério Marinho fechar as portas para o movimento que o queria como candidato a senador; em seguida, viu Allyson lhe tirar o Republicanos. Qual será sua reação diante de tudo isso? E se Ezequiel e Fátima encontrarem agora um objetivo comum? São possibilidades geradas pelos últimos movimentos.
O trunfo de Allyson com o Republicanos deixou o jogo totalmente aberto. Afetou o palanque de Álvaro, porque lhe tirou uma sigla com tempo de TV e fundo eleitoral. Afetou Ezequiel e Paulinho com a perda de um partido que abrigaria a nominata que ambos estavam costurando.
Concluindo: eu não ficaria surpreso se Ezequiel e Fátima costurassem um acordo e ela voltasse a pensar na renúncia do cargo, recebendo garantias de que elegeria seu sucessor em um mandato-tampão. O prazo para renúncia vai até 4 de abril — e, até lá, ainda resta uma eternidade.





