Zenaide, Walter, Marianna: como o governo acabou alimentando o grupo político de Allyson

Se colocarmos uma lupa sobre a formação do palanque identificado como “terceira via” no Rio Grande do Norte, liderado pelo pré-candidato ao Governo Allyson Bezerra, muito do DNA da esquerda potiguar será identificado. A principal veia migratória que abasteceu esse palanque saiu justamente da base governista.

Começou com a senadora Zenaide Maia, convidada no ano passado para formar dobradinha com Fátima Bezerra ao Senado. O PT tornou público o convite, tratou a parceria como praticamente certa e foi surpreendido quando Zenaide optou pelo palanque de Allyson.

Depois veio Walter Alves. Aliado de Fátima, ele poderia, se assim desejasse, indicar o vice de Cadu Xavier e compor a chapa ao Senado ao lado de Fátima. Era considerado aliado de primeira hora. Mais uma vez, Allyson entrou em cena e desfalcou de forma significativa o palanque governista.

Na sequência, surgiu o episódio envolvendo Marianna Almeida, prefeita de Pau dos Ferros. Fátima a convidou publicamente para ser vice de Cadu Xavier. O “match” era dado como certo, e Marianna chegou a sinalizar positivamente. Novamente, Allyson avançou e retirou a prefeita do campo petista. Outra sangria.

Também houve a movimentação entre os deputados estaduais. Um a um, Allyson foi atraindo nomes da base do Governo: Neilton Diógenes, Kléber Rodrigues, Galeno Torquato, Nélter Queiroz e Hermano Morais.

A maior parte da base da “terceira via” saiu do governismo. Foi como se houvesse uma mira apontada para o coração do Governo, minando, uma a uma, as veias que transportam o sangue para o órgão vital.

Curiosamente, no campo da direita, o movimento foi diferente. Ninguém migrou rumo ao Centro. Nem mesmo o prefeito Paulinho Freire, que durante algum tempo foi tratado como dúvida entre apoiar Rogério Marinho ou Allyson. Rogério desistiu, Álvaro Dias entrou no jogo, mas a “terceira via” continuou sem atrair quadros da direita. Pelo contrário: foi a direita que se reorganizou, com Nina Souza e Carla Dickson migrando do União Brasil para o PL.

É importante observar como foi constituído o DNA desse grupo político que hoje sustenta a candidatura de Allyson Bezerra ao Governo. Talvez nem se possa afirmar que se trata de um grupo com DNA originalmente de esquerda. Pode ser, na verdade, um grupo sem DNA próprio, com capacidade de se adaptar a diferentes matrizes conforme a necessidade política.

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