Quando se imaginava que, após o encerramento dos prazos de filiações partidárias e desincompatibilizações, o cenário caminharia para uma calmaria nas nominatas de deputados federal e estadual, o que se observa é o oposto: as temperaturas seguem elevadas nas articulações internas dos partidos.
No PSDB, por exemplo, o deputado estadual Taveira Júnior bateu o pé e vetou o ingresso do ex-prefeito de Assú, Gustavo Soares, na nominata estadual. Na base do “ou ele ou eu”, Taveira deixou claro que, caso Gustavo entre, ele desiste da candidatura.
Há uma justificativa para essa postura. O partido projeta eleger quatro nomes, talvez um quinto. Taveira sabe que Ezequiel Ferreira, Cristiane Dantas e Érico Jácome ocupam com folga as três primeiras posições, restando a ele a expectativa de figurar como o quarto nome. No entanto, com a entrada de Gustavo, o risco de ser superado pelo ex-prefeito cresce significativamente. Daí o veto.
Na nominata federal da federação PT/PV/PCdoB, também há um foco de tensão alimentado pelo chamado “fogo amigo”. Informações divulgadas na mídia sobre uma suposta ajuda de Walter Alves à candidatura de deputado federal de Dr. Bernardo — associadas à expectativa de que, se eleito, ele retornaria ao MDB — acabaram gerando desconforto interno.
Bernardo reagiu, rebateu a informação e recomendou que Walter concentre esforços em sua própria campanha. Resta agora o trabalho de bastidores: identificar se a origem dessas informações está na oposição, com o objetivo de gerar instabilidade, ou se partiu de dentro da própria base.
Outra frente de turbulência aparece na nominata de deputado estadual da federação União Brasil/PP. O veto de parte dos pré-candidatos ao nome de Carlos Eduardo Alves ainda provoca ruídos dentro do grupo. Há o receio de que sua inclusão seja imposta, gerando insatisfação.
O impasse se agrava porque Carlos Eduardo se filiou ao União Brasil com a expectativa de disputar o Senado, cenário que pode não se concretizar. Sem possibilidade de recuo na filiação, surge a hipótese de ele buscar espaço na nominata estadual como forma de compensação, especialmente diante de um eventual apoio a Allyson Bezerra.
Como se vê, as nominatas entram na fase final de formação sob um clima longe da tranquilidade. Vetos se acumulam, tensões se intensificam e o processo segue aberto. As candidaturas só serão oficializadas nas convenções partidárias, em julho — até lá, há quem ainda lute para entrar e quem ameace sair.





