A candidatura de Jorge do Rosário a deputado estadual pode representar muito mais do que apenas um nome de Mossoró com assento na Assembleia Legislativa. A depender do resultado obtido em outubro, ele pode se tornar um dos principais nomes para disputar a Prefeitura de Mossoró em 2028.
Engana-se quem pensa que Jorge é um azarão na política, diante dos sucessivos insucessos eleitorais. Há uma outra leitura possível sobre sua trajetória. Não se tratou de falta de votos para se eleger, mas de estar, em duas oportunidades, no partido errado e na aliança errada.
Em 2018, quando disputou vaga na Assembleia Legislativa pelo PL, Jorge teve mais votos do que cinco deputados eleitos, inclusive mais votos que Allyson Bezerra. Já em 2022, filiado ao Avante, alcançou mais de 28 mil votos para deputado estadual, ficando à frente de nomes como Neílton Diógenes, Taveira Júnior e Ivanilson Oliveira.
Sobre a eleição de 2022, é importante destacar que o problema novamente não foi a quantidade de votos, mas o cenário político em torno da candidatura. Jorge acabou atrelado ao Avante justamente no momento em que a nominata do partido se desestruturou com a saída inesperada de Raniere Barbosa e seu grupo político.
Portanto, resumir Jorge do Rosário à figura de um “perdedor” revela desconhecimento sobre os fatos que cercaram cada uma dessas eleições.
Dito isso, e ainda dentro de uma análise sobre o cenário mossoroense, vejo com convicção a possibilidade de a eleição de outubro transformar Jorge em um dos principais atores políticos da cidade e em um fortíssimo candidato à Prefeitura de Mossoró em 2028.
A leitura que faço é que as experiências do passado ensinaram Jorge a evitar erros importantes. Ele parece ter aprendido, principalmente, a não se deixar engolir pelas variáveis que não controla dentro do jogo político. Tenho recebido informações de que sua campanha este ano está bem organizada e com amplas chances de alcançar êxito.
É claro que, para se projetar visando 2028, Jorge precisa primeiro ter um bom desempenho em 2026. De nada valerá esta análise caso ele não consiga se eleger deputado estadual em outubro. Porém, se as previsões se confirmarem e sua eleição acontecer, não tenho dúvidas de que estaremos diante de um dos mais fortes concorrentes à Prefeitura de Mossoró.
Haverá outros nomes no cenário, evidentemente. O prefeito Marcos Medeiros é candidato natural à reeleição. Cabo Deyvison também aposta em 2026 como trampolim para disputar o Executivo em 2028. Há ainda quem cite o nome de Genilson Alves. Enfim, haverá disputa.
Mas Jorge, diferentemente de Marcos, que ainda tenta consolidar sua marca administrativa, e de Deyvison, que ainda surge como uma incógnita política, é reconhecido por ser um empresário vitorioso, possuir bom caráter e manter um amplo círculo de amizades. É visto como uma pessoa de bem e conta com a torcida de muita gente, inclusive de pessoas que sequer compõem seu eleitorado.
Concluindo o raciocínio: Jorge do Rosário tem condições reais de virar o jogo. E não duvidem de que aquele que muitos classificavam apenas como um derrotado recorrente possa se transformar, em pouco tempo, em um dos principais personagens da política mossoroense.





