O ex-senador Jean Paul Prates avalia que, dentro da aliança de esquerda formada no Rio Grande do Norte para as eleições de outubro, a melhor chance de conquistar uma vaga ao Senado está na candidatura de Rafael Motta.
A avaliação de Jean se baseia em pesquisas eleitorais e leva em consideração aspectos qualitativos relacionados ao potencial de crescimento. Em menos de um mês após ter o nome lançado pelo PDT, Rafael já aparece com mais de 20 pontos nas intenções de voto, ultrapassando Samanda Alves, escolhida pelo PT para substituir Fátima Bezerra na disputa pelo Senado.
As declarações de Jean Paul ocorrem em meio a rumores e questionamentos internos dentro da própria aliança, tanto sobre o nome de Rafael quanto sobre a decisão do PDT de lançá-lo como pré-candidato, tendo Jean como primeiro suplente.
Os questionamentos surgem justamente em razão do crescimento de Rafael e da possibilidade de ele se tornar o nome mais competitivo da chapa. Dentro do PT, já existem reações a esse cenário. Há setores defendendo que Rafael seja deslocado para a vaga de vice, deixando a aliança com apenas uma candidatura ao Senado, no caso, a de Samanda Alves.
As críticas à indicação de Jean Paul Prates como primeiro suplente, sob o argumento de que outros partidos também precisam ser contemplados, funcionam como uma espécie de mecanismo de defesa para justificar eventuais mudanças futuras. Afinal, toda essa discussão representa, ainda que de forma indireta, um reconhecimento de que Rafael pode vir a ser o principal nome da chapa.
Jean Paul, que não possui fama de conciliador, já deixou claro que eventuais vetos provocarão reação. Nos bastidores, o entendimento é de que essa reação poderia levar o PDT a manter a candidatura de Rafael de forma isolada, fora de uma aliança formal com o grupo governista.
A pergunta central é: por que tanta disputa em torno de uma suplência ao Senado? A resposta parece evidente. As expectativas em torno de Rafael cresceram, e isso alterou completamente a percepção política sobre sua candidatura.
Existe dentro do PT um raciocínio que seria viável manter apenas uma candidatura ao Senado, eliminando a “sombra” de Rafael sobre Samanda. A estratégia seria concentrar toda a estrutura partidária em torno de Samanda, ampliando suas chances de competitividade.
O problema é que, com apenas uma candidatura governista ao Senado, o segundo voto do eleitor ficaria praticamente livre — e poderia migrar naturalmente para a senadora Zenaide, principal concorrente pela segunda vaga.
Dentro da própria aliança de esquerda, está sendo criado um ambiente de desconfiança mútua que pode acabar prejudicando toda a chapa. Há muita gente preocupada apenas com o próprio espaço político, sem se preocupar com as consequências da divisão dentro do grupo.





