Um milhão de votos indefinidos no RN: Quem vai levar as duas vagas do Senado?

Entre todas as disputas que vão ocorrer no domingo e os diversos cargos para os quais os eleitores vão escolher seus representantes, penso que a eleição para o Senado é a que está mais aberta.

Alguns podem perguntar se a eleição mais aberta não seria a de deputado, considerando que o número de indecisos é maior. A disputa pelo Senado, porém, tem uma particularidade importante: são duas vagas e cada eleitor pode votar em dois candidatos.

Tive a oportunidade de conversar com o candidato Rafael Motta (PDT) nestes dias a respeito de suas expectativas para a disputa do dia 4. Perguntei a ele sobre suas chances, e Rafael apresentou alguns argumentos que se encaixam nessa lógica de que a corrida pelo Senado permanece aberta.

Entre os principais nomes que disputam as duas vagas, Rafael foi o último a entrar na corrida. Seu partido, o PDT, anunciou sua candidatura no final de abril. Diferentemente de Styvenson Valentim e Zenaide Maia, por exemplo, que trabalham suas reeleições há vários anos.

Há pesquisas que colocam Rafael mais próximo de Zenaide e outras que mostram uma distância maior. Ele tem um perfil político que se traduz em potencial de votos e que o mantém competitivo.

Rafael, Samanda Alves e Coronel Hélio fazem parte do grupo de candidatos que não conta com o mesmo peso político das emendas parlamentares dos atuais senadores. Tiveram que construir boa parte de suas parcerias políticas a pão e água.

No caso específico de Rafael Motta, além de ter começado por último, toda a pré-campanha foi construída em meio a incertezas e picuinhas. Ingressar no “time de Lula” exigiu dele esforço e uma montanha de sapos para engolir.

Mas, voltando ao cerne deste texto, a disputa pelo Senado está aberta porque temos um enorme contingente de votos que ainda pode se definir entre agora e domingo. Parte desse eleitorado deve chegar ao dia da votação ainda sem uma razão forte para escolher A ou B.

O que vai levar o eleitor a escolher um nome para o Senado? O apoio dos prefeitos, vereadores e lideranças locais? O campo ideológico? A trajetória política? São várias perguntas e diferentes respostas.

Se prevalecer o apoio das estruturas políticas, Zenaide chega fortalecida pela ampla rede de prefeitos e lideranças que apoiam sua candidatura. Se prevalecer o campo ideológico, Rafael Motta e Samanda Alves podem buscar espaço entre os eleitores alinhados ao presidente Lula. Se o critério for trajetória política, cada candidato tentará fazer valer a sua própria história.

Ao mesmo tempo em que compreendo que a eleição para o Senado está aberta, Styvenson e Zenaide chegam à reta final ocupando posições de destaque nas pesquisas. Levantamentos recentes têm mostrado diferenças relevantes entre os institutos e também entre primeiro e segundo voto, o que reforça a necessidade de cautela na leitura dos números.

Por isso, o jogo não deve ser tratado como definido. Rafael, Samanda, Coronel Hélio e os demais candidatos ainda disputam uma parcela do eleitorado que pode definir seus votos apenas na reta final.

Com dois votos por eleitor e uma disputa ainda sujeita a movimentações, a corrida pelo Senado promete emoção até o fim.

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