O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se prepara para decidir uma questão polêmica envolvendo a pesquisa AtlasIntel, cuja divulgação foi proibida por decisão do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques. O magistrado acolheu um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que alegou a existência de perguntas capazes de induzir o entrevistado a uma percepção negativa sobre o candidato.
Considero oportuno o debate sobre pesquisas eleitorais. É uma realidade que a proliferação de levantamentos e a falta de mecanismos mais rigorosos de controle têm contribuído para aumentar a desconfiança da população em relação aos resultados divulgados.
Por isso, apresento algumas sugestões para aperfeiçoar a fiscalização das pesquisas e aumentar a transparência do setor.
PRIMEIRA SUGESTÃO: DIVULGAÇÃO OBRIGATÓRIA DOS RESULTADOS COMPLETOS
A legislação prevê que, após a divulgação da pesquisa, os relatórios sejam disponibilizados no sistema do TSE. Na prática, porém, isso nem sempre ocorre de forma acessível e transparente. Sugiro que todos os institutos sejam obrigados a disponibilizar, no dia seguinte à divulgação, os relatórios completos da pesquisa, incluindo a base de dados consolidada e os resultados de todas as perguntas aplicadas. Dessa forma, pesquisadores, jornalistas e cidadãos poderão analisar os dados e identificar eventuais inconsistências.
SEGUNDA SUGESTÃO: COLETA APENAS APÓS O REGISTRO DA PESQUISA
Atualmente, alguns institutos são contratados, realizam a coleta dos dados, analisam os resultados e somente depois registram a pesquisa. Como uma pesquisa representa um retrato de determinado momento, esse procedimento pode transformar a divulgação em uma fotografia já envelhecida da realidade. Por isso, defendo que apenas pesquisas registradas previamente possam ser realizadas, garantindo maior transparência sobre o período efetivo da coleta.
TERCEIRA SUGESTÃO: GPS E GRAVAÇÃO DAS ENTREVISTAS PARA FISCALIZAÇÃO
Hoje, muitos institutos já utilizam georreferenciamento e gravação digital das entrevistas. Sugiro que essas práticas se tornem obrigatórias e que a Justiça Eleitoral realize auditorias aleatórias por amostragem. Assim, seria possível verificar, a qualquer momento, onde cada entrevista foi realizada e, quando necessário, acessar os registros originais para conferência.
QUARTA SUGESTÃO: OBRIGATORIEDADE DE OBSERVÂNCIA DOS DADOS OFICIAIS NA ESTRATIFICAÇÃO
A estratificação da amostra é um dos elementos mais importantes para a qualidade de uma pesquisa. No entanto, alguns institutos adotam critérios próprios que nem sempre refletem fielmente a composição da população. Defendo que seja obrigatória a utilização dos dados oficiais mais atualizados para a definição dos estratos da amostra, respeitando rigorosamente a distribuição por sexo, faixa etária, renda e escolaridade. Quanto mais fiel a amostra for à realidade da população, maior será a confiabilidade dos resultados.





