O clima na nominata de deputado federal da federação União Brasil/PP só piora. Após a saída conturbada de Kelps Lima e o atrito entre Benes Leocádio e Robinson Faria por causa do vazamento para a imprensa da visita do motorista de Daniel Vorcaro ao gabinete de Benes, um novo episódio voltou a azedar a convivência entre os candidatos.
O foco da nova crise é a atuação do coordenador-geral da campanha de Allyson Bezerra, João Matos. Antes de assumir essa função, Matos coordenava a campanha de João Maia, e nos bastidores surgiram suspeitas de que estaria atuando para favorecer o deputado na disputa interna por apoios políticos.
Pelo que consegui apurar, a insatisfação seria por parte de Benes Leocádio e Robinson Faria que teriam detectado migração de seus apoios para João Maia. Não há prova de que João Matos tenha participado diretamente dessa movimentação.
Ainda assim, o ambiente passou a ser dominado pela desconfiança. A principal reclamação é que o coordenador-geral da campanha majoritária não deveria manter qualquer vínculo que possa favorecer uma candidatura proporcional em detrimento das demais.
Quem conhece os bastidores de uma campanha sabe que a disputa dentro de uma nominata é inevitável. Na prática, cada candidato concorre diretamente com os próprios companheiros de chapa pelas vagas que o partido ou a federação conquistará.
O que normalmente garante um mínimo de equilíbrio é a existência de regras informais de convivência, capazes de estabelecer limites para que a disputa não se transforme em um processo de autofagia.
Na federação União Brasil/PP, porém, esses limites parecem estar sendo ultrapassados sucessivamente. Quando isso acontece, a convivência se deteriora e a competição interna deixa de ser apenas eleitoral para se transformar em uma guerra aberta.
Kelps cruzou essa linha ao transformar seus próprios companheiros de chapa em adversários prioritários. Benes e Robinson também contribuíram para esse ambiente ao protagonizarem uma disputa em que um buscou desgastar politicamente o outro. Agora, as suspeitas envolvendo a atuação de um aliado próximo de João Maia na coordenação da campanha de Allyson apenas aprofundam a sensação de desarmonia.
Ao optar, desde o início, por tratar esses conflitos como se não existissem, Allyson Bezerra acabou permitindo que o ambiente interno se deteriorasse. Assistiu passivamente ao isolamento de Kelps e ao desgaste entre Benes e Robinson, sem promover qualquer iniciativa capaz de pacificar a chapa.
Os relatos que chegam dos bastidores indicam que o clima na nominata federal da federação União Brasil/PP é hoje extremamente pesado. Segundo essas informações, já não existe sequer ambiente para reunir os três deputados em uma mesma mesa de conversa. Se esse quadro persistir, os reflexos tendem a aparecer de forma cada vez mais evidente ao longo da campanha eleitoral.





