De repente, todo mundo está olhando para o fenômeno que acontece em Pernambuco, onde o pré-candidato ao Governo do Estado, João Campos, até o mês passado liderava as pesquisas com ampla vantagem e agora vê a pré-candidata à reeleição, Raquel Lyra, reduzir drasticamente essa diferença e até aparecer à sua frente em alguns levantamentos.
Cheguei a ver pesquisas em que João Campos ultrapassava os 60% das intenções de voto, enquanto Raquel aparecia mais de 40 pontos atrás. E a campanha sequer começou. Ainda assim, essa distância gigantesca praticamente desapareceu.
A pergunta que já ouvi muitos analistas políticos do Rio Grande do Norte fazerem é se uma reviravolta semelhante também poderá acontecer por aqui. Principalmente em duas disputas: o favoritismo de Allyson Bezerra para o Governo do Estado e a ampla vantagem de Styvenson Valentim na corrida pelo Senado.
Talvez não tanto em relação a Allyson, que tem uma vantagem considerável, mas não tão ampla. A comparação mais próxima seria com Styvenson, que ainda hoje é visto por muitos como um senador praticamente reeleito, com favoritismo consolidado.
Para responder a essa questão, primeiro é preciso observar o que está acontecendo em Pernambuco. João Campos tem sido apontado como um fenômeno no uso das redes sociais, um modelo copiado em todo o Brasil. Contudo, seus adversários exploram a percepção de que ele teria descuidado da gestão da Prefeitura do Recife.
Ouve-se com frequência relatos de que a cidade está mais suja, que a violência voltou a crescer e que moradores da periferia reclamam de abandono. Enquanto isso, João Campos continua brilhando nas redes sociais, vendendo uma imagem de sucesso que, segundo seus críticos, não corresponde integralmente à realidade vivida por parte da população.
Na outra ponta, Raquel Lyra enfrentava índices ruins de aprovação à frente do Governo do Estado. Era bastante criticada e mal avaliada. Com o passar do tempo, porém, a percepção sobre sua gestão melhorou, enquanto a de João Campos teria perdido força. Os papéis, de certa forma, se inverteram.
Temos aí uma primeira resposta para a possibilidade de algo semelhante ocorrer no Rio Grande do Norte. Não basta saber usar bem as redes sociais — como fazem Allyson e Styvenson. É preciso que exista coerência entre a imagem vendida no ambiente digital e a realidade percebida pela população.
E é justamente nesse ponto que entra a discussão sobre o Hospital Municipal de Mossoró. Os adversários de Allyson trabalham intensamente para desconstruir sua imagem de gestor, tentando demonstrar que o produto apresentado nas redes sociais é diferente da realidade vista pelo cidadão.
Daí a disputa em torno do hospital.
Allyson busca mostrar que os hospitais estaduais enfrentam dificuldades, que o hospital de Natal entregue por Álvaro Dias nunca funcionou adequadamente e que o Hospital Municipal de Mossoró, entregue por sua gestão, opera de forma eficiente. Já seus adversários tentam sustentar a narrativa de que o prefeito vendeu gato por lebre.
No fundo, a disputa gira em torno de uma pergunta simples: qual é a verdade? A do mundo virtual ou a do mundo real? É justamente essa discussão que ajuda a explicar por que João Campos já não apresenta o mesmo desempenho de antes nas pesquisas. Por melhor que seja a comunicação e por mais eficiente que seja o uso das redes sociais, o resultado eleitoral depende da realidade que o eleitor enxerga.
Portanto, a aplicação do caso de Pernambuco ao Rio Grande do Norte — e a possibilidade de desgaste dos atuais favoritos — depende da capacidade dos adversários de convencer o eleitor de que existe uma realidade diferente daquela apresentada pelos líderes das pesquisas. E, no fim das contas, tudo dependerá de qual realidade o eleitor decidir acreditar.
Como Allyson e Styvenson continuam liderando com folga os levantamentos eleitorais, ao menos por enquanto, seguem levando vantagem nessa disputa.





