Quando ouvi, ontem pela manhã, a notícia de uma reunião dos deputados estaduais eleitos no RN pela federação PP/União Brasil, para tratar da posição do grupo em torno da eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, confesso que tive mais dúvidas do que certezas.
À mesa estavam José Agripino e João Maia e, ao lado deles, Neílton Diógenes, Nélter Queiroz, Kléber Rodrigues, Júlio César e Cínthia Pinheiro. Também estava presente o deputado eleito Bibiano (MDB).
Ausente, o deputado eleito Robson Carvalho enviou seu chefe de gabinete, enquanto o deputado federal Benes Leocádio mandou avisar que Agripino fala por ele.
Ao final, foi divulgada uma nota oficial na qual os presentes delegaram ao deputado Kléber Rodrigues a missão de falar em nome do grupo nas articulações para a sucessão na Assembleia Legislativa.
E qual é a minha certeza? Que a federação PP/União Brasil está em busca de uma alternativa para conquistar a presidência da Assembleia. E, para isso, tanto faz se aliar à oposição quanto ao governo.
E a minha dúvida? As chances de essa engenharia dar certo.
Vou explicar.
Geralmente, esse tipo de encaminhamento interno de um partido, envolvendo uma negociação política, é feito entre quatro paredes. Dessa vez, foi diferente. Fizeram questão de que a mídia soubesse primeiro. Parecia mais um grito de “olhem pra mim” do que uma articulação em andamento.
A lógica matemática diz que a união de PP, União Brasil, MDB e PL resultaria em 14 votos, maioria suficiente para eleger a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa. A questão é saber qual das duas bandas ficaria com a chave do cofre.
Para o PL, o argumento é que, tendo a maior bancada, não faz sentido entregar o comando da Casa a outro grupo. A quem tem mais, a maior fatia.
No sentido inverso, também não faz sentido para os deputados da federação firmar um acordo com o PL e entregar aos liberais a presidência, quando poderiam lucrar muito mais com uma aliança com o governismo. Mesmo sem a presidência, teriam acesso às benesses de integrar a base do governo.
Quanto à possibilidade de PP, União Brasil e MDB conquistarem a presidência da Casa numa articulação com o governo, também sustentada por uma lógica matemática de 14 votos, isso só seria possível se, no meio da sala, não estivesse plantada uma árvore chamada Ezequiel Ferreira.
Diante de várias possibilidades e muitos senões, é possível que o grupo acabe se dividindo, com uma parte migrando para a base do governo de Cadu Xavier e outra formando um bloco de oposição ou independente.
Mas, o que fica mais visível é o pano de fundo nessa reunião de ontem. A imagem é que a bancada está sem rumo, tentando encontrar uma alternativa após a derrota de Allyson Bezerra em 25 de outubro. Estão todos ainda meio tontos.





